Fantasmas que rondam o ser, cordel de Mariano Ferreira da Costa.
Literatura de Cordel
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Fantasmas que rondam o ser
Autor:
Mariano Ferreira da Costa
Revisão: Francisco Diniz
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Os fantasmas que há em nós
Temos forças pra vencê-los
São estúpidos algozes
Com eles só há atropê-los
Conscientes deste mal
Nós poderemos rendê-los.

O medo é um fantasma
Que nossa mente perturba
Todos projetos que temos
Este fantasma derruba
Com o medo dentro da gente
Na vida não há quem suba.

Nada se realiza
Se o medo está presente
Quem é amigo avisa
Tire o medo da frente,
Procure ser vencedor
E viver alegremente.
01

Quem ao medo se entrega
À vitória é impossível
O futuro não existe
É um sentimento horrível
Se a estrada é reta
Ele logo muda de nível.

Pra vencer este fantasma
Temos que buscar no ser
A força da esperança
Com ela iremos crescer
Descortinar o futuro
Pra novo horizonte ter.

Cada um de nós tem
A sua idiossincrasia.
Há os que tendem à tristeza,
Outros que tendem à alegria
Mas com o medo na frente
Só há noite, nunca dia.
02

O fantasma "só comigo"
Perturba corpo e mente
Atribui tudo a si
Do pessimismo é vertente
Toda mazela do mundo
Está dentro dessa gente.

É um fantasma engraçado
Ele é sempre coitadinho,
Muito desinteressado,
Está à margem do caminho,
Não assume compromisso,
Vive a sair de fininho.

É uma eterna vítima
Em qualquer situação,
Pra onde for ele grita
Para causar compaixão,
Tudo reclama e chora
Querendo nossa atenção.
03

É uma figura casmurra,
De caráter duvidoso,
Está sempre ensimesmada
Com o seu jeito raivoso,
Quando chora nada sente
Tem um aspecto jocoso.

Sente-se um castigado
Num eterno coliseu
Culpa a todos sem razão
Pois o mundo é fariseu,
Que mata, rouba e assalta,
Mas quem sofrerá sou eu.

Assim vive esse fantasma
Espalhando seu veneno
Azucrinando o espírito
Do adulto e do pequeno
Quem dele não se liberta
Passa a vida sofrendo.
04

"Eu não disse" é um fantasma
Que está sempre de plantão
Sabe tudo antecipado
Vive a fazer previsão
Quando tudo dar errado:
- Eu não disse cidadão!

É fantasma perigoso
Vive o tempo a dizer:
Eu não disse; não dar certo;
Se tentares, vais perder;
Quando falo, acontece
Ou inda vai acontecer.

Assim vive destilando
O veneno do pessimismo
Ao povo vai avisando:
- Se quer sair do abismo
Não tente nenhuma vez,
É o próprio ceticismo.
05

Tudo que é ruim já sabia
Pra quem perder, já avisou:
- Você lembra daquele dia
Quando meu time jogou?
Quem é amigo avisa
Você que não escutou.

Faz a mídia do mal
Avisando na esquina
- Eu não disse que ia acontecer!
Chama atenção da menina
Tudo que falo acontece
É verdade cristalina.

Eu não disse, é esperto
Em fazer premonição
Vive sempre de olho aberto
Buscando ocasião
De falar para alguém
Quando o encontra em aflição.
06

Não venha falar em sonho,
O que pensa no futuro
Pois este fantasma fica
Sempre em cima do muro
O que é bom atrapalha,
Apaga e deixa escuro.

O fantasma do pessimismo
É o seu nome real
O sucesso ele rejeita
A derrota tem seu aval
Quem do pessimismo é vítima
Ver no outro sempre o mal.

É o maior dos fantasmas,
Apaga toda esperança
Não acredita no sonho
No coração de criança,
Derruba todos castelos
Como se fosse vingança.
07

O dia está sempre feio,
A noite apaga as estrelas,
A que brilha mais no céu
Ele não procura vê-la,
A ocasião mais bela
Já procurou esquecê-la.

Não adianta sorrir,
Não tem graça no picadeiro.
Este palhaço não presta
Acho que perdi o dinheiro,
Acaba com toda festa
Todo dia o ano inteiro.

O pessimismo derruba
Todo castelo de sonho,
Encontra sempre motivo
Para se sentir tristonho
Nada de bom lhe atrai,
Pra ele tudo é medonho.
08

Não é Deus, pensa que é
O fantasma "Onipresença"
Acha-se o mais importante
Tudo é ele quem pensa,
O saber só ele tem
Filosofia e ciência.

Ele quer estar presente
Em toda situação
Quer ser dono da verdade,
Tem a força de um Sansão,
É quem domina a cidade,
Tem a chave em suas mãos.

Tem todo o conhecimento,
Topa qualquer parada,
Não perde para ninguém,
Tudo para ele é nada,
É o maior corredor
Quando pega uma estrada.
09

O povo é impotente,
Só ele resolve tudo.
Quando fala é eloqüente,
Tem todo o saber do mundo
E trabalha mais que todos
O resto é vagabundo

Está em todo lugar
Chamando sempre a atenção
Quer ser sempre respeitado,
Adora um aperto de mão,
Nas festas de aniversário,
Carnaval e São João...

O psiquê humano cria
Várias formas de agir
Mas, só Freud é quem explica
O fazer e o sentir.
O mito do super homem,
Até quando vai existir?
10

O fantasma brincalhão
Não leva nada a sério
Brinca em todo ambiente
Até mesmo no cemitério
No momento importante
Apresenta despautério.

Tudo é causa de risada,
Vive a praticar lambança,
Carece amadurecer,
Comporta-se como criança
E quem tem esse fantasma
Regride, nunca avança.

Faz da vida um teatro,
O que diz é sempre brincando,
Dois mais dois não soma quatro,
Tudo que faz é blefando,
Sua verdade é mentira,
Está sempre enganando.
11

Não precisa se pintar
Para fazer palhaçada
Quando oferecemos leite
Ele prefere coalhada
Onde ele está presente
Escuta-se a gargalhada.

Parece ser o mais feliz
Com seu jeito brincalhão,
No fundo tudo é tristeza
Pergunte a seu coração
Sua alma vive presa
Amarrada a solidão.

Esses fantasmas existem,
São mesmo patologia
Que rondam o sentimento
Seja noite, ou seja dia.
Cuide logo de curar-se
Senão o amor atrofia.
12

As vezes pra se libertar
É preciso terapia,
Pra elevar o espírito
E seguir a estrela que guia
Pelos caminhos da fé
Pois esta é a única via.

O fantasma você cria
Dentro de sua mente.
Para viver com alegria
No meio de tanta gente
Liberte o seu espírito
Seja cidadão prudente.

Liberte-se do pessimismo,
Alimente a esperança,
No coração, altruísmo,
No espírito, uma criança
Com certeza o paraíso
Cedo ou tarde se alcança.
13

Acenda a sua luz,
Você nasceu pra brilhar,
Ao sucesso faça jus,
Procure ao outro ajudar,
Quem a bondade conduz
Está pronto para amar.

A psicologia ajuda
A descobrir os caminhos.
Busque se conhecer,
Não se prenda em seu ninho,
Bata as asas, voe alto
Como faz um passarinho.

Em cada caminho vivido
Novo horizonte terás,
Desabroche para a vida,
Construa um mundo de paz,
Viva firme no presente
Que o errado se desfaz.
14

A psicanálise explica
Através da regressão
A origem dos fantasmas
Que estão lá no porão
Massacrando o seu ser
Como fosse furacão.

Mas as vezes pode ser
Um simples deslocamento
Que o superego busca
Pra evitar o sofrimento
De um ide em pedaços
E um eu em fragmentos.

Os fantasmas são demais,
São verdadeiros heróis
Os outros ficam pra trás
Eles desconhecem o nós
Tudo eles edificam
O resto é quem destrói.
15

Só eles possuem força,
Vulcões em atividade
Sentem-se donos do mundo
Compram e vendem a cidade,
Não perdem para ninguém
Fazem tudo, sem maldade.

Não se sabe até quando
Esta força permanece
Por isso estou avisando:
O homem só enobrece
Com amor no coração,
Atitude e muita prece!

A fé que move montanhas
É a mesma que vai derrubar
Todo tipo de fantasma
Que vive a perturbar
E com a ajuda de DEUS
Podemos nos libertar.
FIM
16

Mariano Ferreira da Costa
Santa Rita-PB, 20 de maio de 2004
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