O Escravo do Sistema, cordel de Valentim Quaresma e Francisco Diniz.
Literatura de Cordel

Autores:
Francisco Ferreira Filho Diniz
Valentim Martins Quaresma Neto

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Quem sabe a força que tem
A cultura popular
Por certo sabe também
O que pode anunciar.
É assim caro leitor
Que a verdade vai ao ar.

Quero aqui retratar
O homem de hoje em dia
Que vive sempre ocupado
Numa eterna agonia
Trabalhando sem parar,
Escravo da burguesia.

O escravo do sistema
Está sempre preocupado
Com o patrimônio que tem
E com o que deve ser comprado
E valoriza o novo
Em detrimento do usado.
01

Vive sempre na orgia
Gosta de badalação
Quer andar sempre na moda
Que viu na televisão
Sua vida é consumir
Disso ele não abre mão...

Aquilo que é da elite
Ele sempre dá valor
Só gosta de está no shopping
E andar de elevador
Viver em cabeleireiro,
Ele adora se expor.

Tudo que é importado
Lá dos Estados Unidos
Ele compra e diz que presta,
Mesmo o que não faz sentido
Das coisas do nosso povo
Ele vive esquecido.
02

O escravo do sistema
Só anda muito apressado
Reclama que não tem tempo
Sempre está ocupado
Ganha pouco, anda doente
E dizendo: -Estou estressado!

Tenta colocar o mundo
Na palma da sua mão
Liga-se via satélite
Com celular em avião,
Tem fax e internet,
Rádio e televisão.

Sua comunicação
Com toda tecnologia
É muito aperfeiçoada
Mas, com o semelhante é fria
Quando passa pelo outro
Nem se quer dá um bom dia.
03

Encontra-se a máquina humana
Em tudo quanto é lugar
Um robô de carne e osso
Sem refletir nem pensar
Controlado e programado
Na terra, no céu, no ar...

O sistema opressor
Faz escravo de montão
Existem aqueles que vivem
Cobertos de precisão
Entregues a própria sorte
Sem ter nenhuma opção.

Muitos agora estão
Pelas ruas a pedir
Por um pedaço de pão
Sem ninguém para os servir,
Perseguidos, desolados
Lá, acolá ou aqui.

Também há os que não querem
Com os outros se preocupar
Só querem saber de si
Só pensam sempre em ganhar
E fazem o jogo sujo
Somente para lucrar.
04

Quem não gosta de mudar
É escravo do sistema
Contribui para aumentar
A tristeza e o dilema,
Pois atribui o poder
A quem vive no esquema,

E assim dá o seu voto
Sem pensar nas conseqüências
Dando valor aos ricos
Que vivem de aparências...
Precisa mesmo acordar
E despertar a consciência.

Se não despertar bem logo
O quanto antes, mais cedo
Sofrerá feito animal
Digo e não peço segredo
Só de pensar no porvir
Dá calafrio e dá medo.

O escravo dependente
Do rádio e da TV
Fica mais alienado
Ao sistema e ao poder
Da mídia, dos empresários
Perde a razão de ser.
05

Eu sei que o seu salário
Depende desses mandões
Que não estão preocupados
Com pobreza ou com lixões
Querem é ser bajulados
E chamados de patrões.

O homem tornou-se escravo
De quem tem o capital
Que por todo o seu trabalho
Paga pouco, muito mal...
Isso aumenta as riquezas
Da classe empresarial.

É sofredor o sujeito
Que é pobre hoje em dia
É ele quem paga a guerra
Tanto bélica, quanto fria
Vive doente e faminto
Sozinho, sem companhia.
06

Quer viver mais não consegue
Morre um pouco a cada dia
Sonha com muita fartura
É vítima da tirania
Que suga todo o seu sangue
E o sepulta em terra fria.

Quanto mais o tempo passa
Mais aumenta a pobreza
Os impérios construídos
Nas mais grandes fortalezas
E a multidão de escravos
Mostra a sua fraqueza.

Tudo isso só ocorre
Por falta de decisão
Da massa trabalhadora
De fazer a união...
São milhares de escravos
Subordinados a um patrão.
07

Por isso presenciamos
Uma inusitada cena
A roda que é gigante
Roda dentro da pequena.
"E os gaviões de penacho
Cobrindo o mundo de pena."

O mundo pegando fogo
Loucura por toda parte
Uns desejando a Terra
Outros conquistando Marte
E escravos loucos poetas
Acreditando na arte.

O sistema é um gigante
Malfeitor, safado e ruim
Sabemos que os escravos
Não devem agir assim...
Chamando para ir à luta
Nosso cordel chega ao fim.
08
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