Senhor prefeito eleito

Desta terra esquecida,

De uma gente sofrida

Que não sabe o que é direito,

Que diz até não ter jeito

A sua situação,

Dê-me um pouco de atenção

E escute o que vou falar,

Pois em versos vou mostrar

A nossa educação.

 

Senhor constitucional

Prefeito desta cidade,

Não me tenha por maldade,

Mas preciso ser formal:

O seu governo vai mal,

Começou há vinte dias

E já causa agonias

Para os funcionários,

Que sem respeito e salários

Entraram em outra fria.

 

O senhor não tem respeito

Por nossa educação

E não basta falação,

Culpar o outro prefeito,

Eu sei que ele é só defeito,

Mas ele é passado ruim,

O que interessa a mim

E ao povo é o agora,

Por que tanta essa demora

Para nos pagar, enfim?
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Não me venha com a história

De nos pedir paciência,

O estômago não tem clemência,

Mude sua oratória

E a prática simplória

De nos propor esperar

Você se organizar

E ajeitar as finanças,

Se você quer confiança

Cuide logo em nos pagar!

 

A desculpa esfarrapada

De que o outro lhe deixou

Um rombo e isso evitou

Que as contas fossem quitadas,

Isso é conversa fiada,

É como o canto da ema,

Não resolve o dilema,

Se o senhor mostra bons préstimos

Teria feito empréstimo

E acabado o problema.

 

Agora, não é agir

Como um governador,

Que um transtorno causou

Aos funcionários daqui,

Numa fila a pedir

Empréstimo particular

Para então, assim ganhar

Seus salários atrasados

Pagando juro adoidado

Assim, não dá pra aceitar!
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A postura adequada

Que o senhor tinha de ter,

Quando subisse ao poder,

Antes de tudo ou nada,

Era deixar liquidada

A dívida do servidor,

Pois eu garanto ao senhor

Que o senhor seria visto

Como imitador de Cristo

E não outro opressor.

 

Aí, eu acreditava,

E ousava a dizer:

Hoje vi aparecer

A pessoa que faltava,

Quem eu tanto esperava

Pra fazer a revolução

E investir na educação

Como sempre eu sonhara,

Mas isso é coisa rara

No país da corrução.

 

Prefeito, o servidor,

Esquecido que dá dó,

É o patrimônio maior

De todo e qualquer gestor,

Se este lhe der valor

Há sólida parceria,

Haverá benfeitoria

Nos serviços sociais,

Do contrário não há paz,

Respeito e harmonia.
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Veja, administrar

Certo – apontam as pesquisas –

O gestor sempre precisa

Pagar bem pra motivar,

Ter carisma e olhar

Com atenção, com amor

Qualquer um trabalhador,

Pr’ele atuar satisfeito,

Cumprindo a meta direito

Pra que o outro dê valor.

 

Prefeito, eu sou professor,

Duas ou vezes mais artista,

Um eterno ativista,

Como todo educador,

Luto sabendo da dor

E assim com o meu cordel

Vou cumprindo o meu papel

De instruir, de reclamar

E de conscientizar,

De ser abelha e mel.

 

Aqui não sou partidário,

Não sou dá oposição,

Muito menos situação,

Meu caro, o meu ideário

É a escola em todo horário

Para revolucionar,

Ser capaz de melhorar

A nossa sociedade,

Pois pra haver a igualdade,

Só se o povo se educar.
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 Basta ver como o Japão

Foi capaz de se erguer

Após a guerra perder,

Investiu em educação

E logo a reconstrução

O transformou em potência,

Um povo tem sapiência

Se tiver o conhecimento

E neste ensinamento

Nós temos deficiência.

 

Por aqui nossos gestores,

Ao longo de toda a história,

Têm postura vexatória

Para com os professores,

Pois não foram defensores

Da escola de qualidade

O que houve foi ruindade

Com a nossa educação,

Descaso, corrupção,

Sob o véu da impunidade.

 

Se você der uma olhada

Como anda nossa escola,

Quase pedindo esmola,

Sofrendo ali calada

E sem poder fazer nada,

Com a estrutura falida,

Sonhando ser demolida,

Pois não pode oferecer

Condições para o saber

Transformar a nossa vida.
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E para complementar,

Além dos baixos salários,

Hoje os funcionários

Não podem sequer honrar

Suas contas, nem trabalhar,

Posto que sem receber

Os proventos, como ter

A sua identidade,

A mínima dignidade

Para então sobreviver?

 

E por parte do senhor,

O que faz como prefeito?

Não encena aqui direito,

Começa em não dar valor

Para o nosso educador,

Além de não nos pagar,

Convoca para cuidar

Da pasta da educação

Um secretário que não

Tem histórico de respeitar...

 

A nossa categoria,

Pois isso já foi provado.

Aqui temos um bocado

De gente, sem ironia,

Que com certeza faria

A melhor educação,

Bastava ter condição,

Quero dizer liberdade,

Pra fazer a edilidade

Respirar transformação.
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Bastava ser escolhido

Do quadro de professor

Alguém que saiba propor

E que tenha aqui vivido

Sem jamais ser envolvido

Em ação judicial,

Que tivesse cabedal,

Para mim Manoel Vieira,

Que durante a vida inteira

Tem lutado por moral.

 

Podia ser o Feitosa,

Por que não escolheste a mim?

Eu botaria um fim

Na história desastrosa,

Tanto em verso quanto em prosa,

Da nossa educação,

Garanto, corrupção

Passava longe daqui

E no tempo de sair

Não roubava um tostão...

 

E é claro nenhum real,

O que eu ia fazer

Você não queira saber,

Mas não era nada mal,

Pois Antônio Radical

Não ia mais reclamar

E tampouco convocar

Gente para assembléia,

Meu caro minha idéia

Era revolucionar!
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Essa história de greve,

Aqui não ia existir

Nem escola quase a cair

E merenda que não serve,

Nós não veríamos neve,

Mas salário atrasado,

Era coisa do passado,

Sem aparato diria,

Ao sindicato eu iria

Sem medo de ser vaiado.

 

Lá eu ia discutir

Com todos os companheiros

O que se fazer primeiro

Com o dinheiro, onde investir,

Aí eu podia pedir

De todos dedicação,

Pacto pela educação

Começa pelo respeito,

É assim caro prefeito,

Isso não é invenção.

 

Não me chame petulante

Ou de louco sonhador,

Sou artista, educador,

Do amor, um militante

Do cordel, só um amante,

O que alegra minh’alma,

Traz saber, riso e acalma,

Mas eu sei que em qualquer praia

Posso receber uma vaia

Ou uma salva de palmas.
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Francisco Diniz

Santa Rita-PB, 24 de janeiro de 2013.
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