Literatura de Cordel
Bandeira da Paraíba
Autor: Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 27 de julho de 2017.
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Invocando a Deusa Têmis
Da grega mitologia,
Que é Deusa da justiça,
E a grande sabedoria
Do Deus de todo cristão,
Peço a todos permissão
Pra expor a poesia...

De cordel em homenagem
Ao homem, pai e juiz
Dedicado ao que faz
E por isso faz feliz
Amigos, familiares,
A quem enfrenta pesares,
Ao sábio ou aprendiz.

Senhor Antônio Carneiro
De Paiva Júnior
, que aqui
Completa 50 anos,
Mas com alma de guri,
Vamos lhe homenagear,
Você vai se emocionar,
Chorar e no fim sorrir.

A história metrificada
É de quem tem mesma idade,
Porém o texto em prosa
Tem a amabilidade
Da esposa e dos filhos
E o cordel segue os trilhos
Da setilha e da verdade.
1

Assim, eu passo a palavra,
Primeiramente a Rosana:
- Meu amado companheiro
De ano, mês e semana,
De qualquer dia e hora
Que alegra minha aurora
Qual brisa em manhã serrana...

Você é o meu amor,
Por eu ter você sou grata
À vida e por Deus eu peço
Que nenhum mal te abata,
Que os anjos digam amém,
Desejo sempre seu bem
Nesta e em qualquer data.

Você merece os aplausos,
Todo o reconhecimento
De um ser mui valoroso
Que sabe em todo momento
Praticar a humildade,
Pregar a generosidade
Dando ao mundo um alento.

Para mim é um privilégio
Ter a sua companhia
Como amigo e amante
Na tristeza e na alegria
Com seu agir cuidadoso,
Sereno, afetuoso,
Você é tudo que eu queria!
2

Meu amor não é segredo,
E digo se fortalece,
Pelas surpresas que fazes,
Seu carinho é uma prece
Que aos céus pedi um dia
E eu jamais te esqueceria
Nem mesmo se Deus quisesse.

Só que Deus me ofereceu
A dádiva do seu amor
E por isso o glorifico:
Obrigado, meu Senhor!
Esse homem maravilhoso,
Meu orgulho, meu esposo,
É meu frio e meu calor...

Que me deu três joias raras:
Rayssa, Sílvia e Arthur,
Os frutos abençoados,
Como as chuvas do caju,
Flores de toda estação,
Sangue do meu coração,
Riquezas do meu baú!

E conforme o combinado,
Meus filhos venham contar
Um pouco da biografia
De seu pai, que hoje está
Um gato cinquentenário,
De amor, um perdulário,
Fadado a encantar!
3

- Painho, a sua benção!
Que você tenha saúde
E muitos anos de vida,
Regada de plenitude
No agir, na voz, razão,
Que siga sua atuação,
Tal sonho da juventude!

Meus amigos, nosso pai,
Nasceu no dia primeiro
De agosto, 67,
João Pessoa, o celeiro
Do sol que chega bem cedo,
De riquíssimo arboredo,
De um mar lépido e faceiro!

Filho de Antônio Carneiro
E de Dona Adelita.
Vô morreu em acidente,
Que conste nessa escrita,
Nosso pai tinha 03 anos,
Ficaram mais 08 manos,
Assim a história é dita.
4

A nossa vó Adelita
Ficou viúva sem saber
Que ela estava grávida
E assim o seu sofrer
Foi um pouco atenuado
Por ter no ventre guardado
Outro inocente ser!

Ela é grande guerreira,
De nove filhos cuidou:
De Antônio, Ruy, Zezé;
Do mesmo jeito criou:
Sara, Tana, Sandra e as gêmeas
Marilda, Marilza, fêmeas,
Qual Socorro, que mudou...

... Há cinco anos de plano,
Foi morar no firmamento
Com Edson e Carlos Antônio,
Que deixaram sentimento,
Morreram quando crianças,
Ficaram só as lembranças,
A morte sempre é um tormento.
5

Nosso painho, Antônio,
Começou a trabalhar
Aos 13 anos de idade,
Sempre quis muito estudar,
No Santa Júlia estudou,
No Lyceu se preparou
Pra ganhar o vestibular.

Foi sempre o líder da turma
Nas escolas que passou,
No CIMAG Rolamentos
12 anos trabalhou
Com Jairo Alves Monteiro,
Rígido, grande parceiro,
Que caráter lhe ensinou.

Quando sobrava um tempinho
Na loja de rolamentos
Pegava o livro escondido
No balcão por uns momentos,
Ficava a estudar,
Passou no vestibular,
Quem busca tem rendimentos!
6

Deixou a loja de peças
Quando passou no concurso
De escrevente do TJ
E pra aumentar seu recurso
Passou noutro e foi ser
Assessor: TRT,
Seguia o seu percurso...

... Para ser um magistrado,
Que ocorre em 96,
Era seu quarto concurso,
Só que agora dessa vez,
Tornava-se um juiz,
Como sempre ele diz,
Repetimos a vocês:

"Acredite, se um sonho
Pulsa no seu coração
Nada é capaz de impedir!
"
Claro, é preciso de ação,
De disciplina, entrega,
Quando uma planta se rega,
Cresce em qualquer estação!
7

Foi no início à Coremas
E depois noutras Comarcas:
De Pombal, de Araruna,
Em Sapé há suas marcas,
Jacaraú e Campina
Grande e sua rotina
É de grande patriarca...

Depois veio a João Pessoa
Para então se tornar
Juiz da Fazenda Pública,
E sempre a atuar
Com um olhar de compaixão,
De respeito, atenção,
Como é pra se olhar!

Presidiu a Comissão
De concurso de juiz.
Nosso pai é um vencedor,
Mas não esquece a raiz
De humilde comerciário,
Da família e ideário
E faz a gente feliz!

Em 2016,
23 de março, o dia
O Pleno do Tribunal
De Justiça lhe traria
Um feito fenomenal:
Compor a Corte Eleitoral,
Sua carreira engrandecia.
8

As conquistas que vierem
Serão sempre consequência
De um agir espirituoso,
De otimismo e decência
Que ele tem há 20 anos,
Porém todos os seus planos
São servir e ter coerência.

Tal feito lá em Coremas,
Quando cria a Associação,
A Solidariedade,
Que fazia a produção
De produtos de limpeza
Pra jovens da redondeza,
Dando-lhes ocupação,

Além de oferecer
O reforço escolar,
Contribuía pro jovem
Das ruas se afastar,
Com esforço construiu
Sede própria que serviu
E inda serve pra educar.

Lá em Campo de Santana
Criou o Projeto Viver
Com música, esporte, reforço
Escolar para atender
Crianças e esta ação
Contribui na promoção,
Na elevação do ser.
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Cria em Cacimba de Dentro
E em Araruna também
O Projeto Reviver,
Onde os apenados têm
A alfabetização,
Pois somente a educação
Conduz o ser mais além...

E para os presidiários
Do Regime Semiaberto,
A horta comunitária
Era um destino certo,
E plantavam inda mais
As ervas medicinais,
Cujo fim era decerto...

Para fabricar xaropes
E também pra se usar
No sopão comunitário,
É um projeto pra dar
Ressocialização
E aos presos reinserção
No mercado a trabalhar.
10

Na Vara da Capital,
Na 4ª precisamente,
Que é da Fazenda Pública,
Seu agir era premente
Nas ações quanto à saúde
Do povo, sua atitude:
Prestigiar o carente.

Hoje no TRE
Tem importante missão,
O certo é que seu papel
Será contribuição
Pra zelar a democracia,
Respeitar a cidadania,
Combater a corrupção.

Nosso pai é juiz íntegro,
Deveras bem preparado,
Ao longo de sua vida,
Está mais que comprovado,
Que além da teoria,
Sua maior sabedoria:
Enxergar o desprezado...
11

Além do que está nos autos,
Pois tem sensibilidade
Ao partilhar das angústias
De quem tem necessidade,
Prega a humanização
Ao oferecer a mão
Da solidariedade.

Arguiu e extrapolou
As letras frias da lei,
Sem cometer injustiça,
Ou agir tal astro-rei,
Mas para dar esperança,
Sobretudo confiança,
Não importando a grei!

Conheceu a nossa mãe
Aos 18 de idade,
Foi ele quem começou
A querer "enxiridade",
Ela ficou pelos cantos,
Porém cedeu aos encantos
Da sua jovialidade.
12

Com o namoro percebeu
O que mais lhe encantava:
O seu jeito engraçado,
A forma que a tratava,
A sua constante calma,
Sua beleza de alma
Que o tempo revelava.

- Pois é gente, isso é verdade,
Assim mesmo aconteceu,
Depois veio o noivado
E o casamento se deu
Em dezembro, 91,
No dia 06 e nenhum
De nós se arrependeu.

Foi minha mãe Iraci,
Que'ntre nós não mais está,
A primeira a insistir
Para nos abençoar,
Meu pai Roberto Duarte
Foi e é meu baluarte,
Sempre presente a ajudar.
13

Falar de Antônio é falar
De fé, de perseverança,
De exemplo a ser seguido,
De simpatia, esperança,
Do sentimento mais puro,
Brando e porto seguro
A atracar a bonança...

De um homem inteligente,
De um filho carinhoso,
De um contador de histórias,
De um sorriso gostoso,
De quem conversa com os filhos
Que as vezes vemos o brilho
Do olhar bem lacrimoso.

Ele amadureceu logo,
Pois teve que trabalhar
Bem cedo para poder
Ajudar a sustentar
Sua mãe e os irmãos,
Oferecendo as mãos
Para a vida melhorar...

Tal como faz até hoje,
Através de suas ações,
Ao cativar as pessoas
Com as sábias decisões,
Ao despertar empatia,
Distribuir alegria
Nas salas, casas, rincões.
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Sempre perto da família,
Cultiva as amizades,
Vê no outro um igual,
Luta pela equidade,
Pelo respeito constante
Do juiz ao vigilante,
Por justa sociedade.

Parece que as pessoas,
Antônio, ao te encontrar,
Ficam pessoas melhores,
É a impressão que há.
Você nos enche de amor
E onde quer que eu for
Desse amor eu vou falar.

Você honra e honrará
Nossa família, eu sei,
Vem de sua formação,
Fazer o bem é sua lei,
Foi sua mãe que ensinou
E você assimilou,
Feito palavra de rei.

Você que aproximou
O poder judiciário
De uma população
Que vive triste cenário,
Que precisa de atenção
E sofre a exclusão
Do poder pecuniário.
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Você provou que a justiça
Não deve ficar distante,
Ter face inflexível
De uma estátua gigante,
Mas de uma mãe rigorosa
E ao mesmo tempo bondosa,
Que sabe olhar adiante.

Você deixou seus projetos
E os nossos incorporou
Como se fossem os seus
E muito se interessou
Pra o melhor oferecer
E fazer acontecer
Tudo que a gente sonhou!

Que você siga ouvindo
Suas músicas, conversando,
Escrevendo, lendo muito
E a todos encantando,
Que Deus possa abençoar
Sua fé e continuar
Sua vida iluminando...

E eu quero gritar ao mundo
Quão você é importante,
Sou plenamente feliz,
Sou Rosana, radiante,
Júnior, minha sociedade,
Minha unanimidade,
Meu amado, meu amante!
16
Essa história não tem
FIM

Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 27/07/2017.

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