As Razões da Existência da Guerra, cordel de Francisco Diniz
Literatura de Cordel
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Literatura de Cordel
Autor:

Francisco Diniz
Santa Rita-PB


As Razões da Existência da Guerra
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Toda guerra só existe
Porque não temos amor,
Porque o homem é egoísta
E ao defender com fervor
A conquista do poder
Provoca morte e dor.

E assim instaura o horror,
O medo, a humilhação,
Ao usar o bombardeiro
Que só traz destruição
E uma visão desoladora
De onde era habitação.

O pesado armamento
Depois que é detonado
Revela as faces do ódio
Deixa o amor transtornado
E quem é um pouco sensível,
Sente-se hostilizado.
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Eu não sei qual o sentido
Que qualquer uma guerra faz:
O homem matando o outro
Numa violência voraz
Por que será que é difícil
Viver no mundo em paz?

Tiranos, monstros, frustrados
São idealizadores
Da carnificina humana,
Agem como ditadores
Na promoção dos conflitos
Que causam tantos horrores.

Não pensam no sofrimento
Que passa a mãe do soldado,
O que chora um pai ressentido
Em silêncio, angustiado
E o que sentem filhos e irmãos,
Todos ficam arrasados.
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Sente medo o combatente
De não mais ver a mulher,
O alimento é a saudade,
Porém nunca perde a fé
E pra retornar à família
Ele faz tudo o que puder.

Mas nem sempre isso é possível
Pois a guerra é crucial:
Quando não mata, condena
O homem a viver mal
Assombrado, emudecido
Numa tristeza colossal.

Só que muitos inda ficam
Até mesmo mutilados
Pelos embates hostis
E ficam traumatizados
Crianças e inocentes,
Civis, além dos soldados.
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E eu fico me perguntando,
Sem nunca compreender
Se haveria outro meio
Que evitasse acontecer
Que a vida do inocente
Viesse a padecer.

É certo que ter um mundo
Sem nunca a guerra existir
Não é uma coisa possível
Nessa dimensão aqui
A menos que o ser humano
Possa um dia evoluir.

Enquanto isso teremos
Stálin, Hitler, Sadam
Tanto exterminador
A serviço de Satã
Disfarçado de herói,
De mocinho ou de galã.
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A razão do surgimento
E da guerra sempre existir
Está no fato do homem
Desejar adquirir
A conquista do poder
E não importa quem vai cair:

Se parente, mãe ou pai,
Se um temível inimigo,
Se um sábio ou insolente,
Se a quem chama de amigo;
O ganancioso quer é mesmo
O ouro, o vinho, o trigo.

Mas também quer o petróleo
Que em sua terra não tem,
Ampliar seu território
O quanto acha que convém
Usa até o nome de Deus
E fala de amor também.
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É claro que essa tese
É uma grande contradição,
Como pode o amor
Fazer disparar canhão,
Míssil, ogiva, mina, bomba
E armas de destruição?

Será desejo de Deus
Ver sua criação inventar
Pistola, metralhadora,
Até bomba nuclear,
Revólver, rifle, punhal
Para o irmão matar?

E eu fico imaginando
O que será que Deus sentiu
Na guerra contra o Iraque,
Uma das últimas que viu,
Cidades quase em ruínas
Que o fogo consumiu?
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Ele deve ter sofrido
Nas duas Guerras Mundiais,
Em todas guerras civis,
No Golfo e tantas mais
Desde o início dos tempos
Tem sido difícil a paz.

Por outro lado, medito:
Seria possível a convivência
Só desejando a paz,
Quando à luz da indecência
Tiranos mandam matar
E roubam a inocência?

Seria decente calar,
Não lutar e permitir
Que o ganancioso explore,
Que viva a extorquir,
Jamais ser repreendido
E sem ninguém pra reagir?
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Na reação surge o óbvio:
O sacrifício, a dor, a morte,
O sofrer do inocente
Que paga com a própria sorte
Pela atitude de algum
Que se acha sábio e forte.

Mas na verdade quem prega
O início de uma guerra
É louco, é desastrado,
É um animal que berra
Que não sabe o que é amor
Nessa dimensão da Terra.

E se o poder enfeitiça
Seguirei a defender:
Quando o homem evoluir
Guerra não iremos ver,
Nem fome, nem invejoso,
E nem luta por poder.
FIM
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Francisco Diniz
Santa Rita-PB, 25 de abril de 2003.
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