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LASCADO DE SAUDADE
Autor: Vicente Nascimento


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Trechos do livro do poeta popular Vicente Nascimento, lançado em dezembro de 2003, em João Pessoa - PB.

VICENTE FRANCISCO DO NASCIMENTO é natural de Salgueiro – PE, caçula de 16 irmãos, trabalhou na agricultura, foi fotógrafo, Patrulheiro Rodoviário Federal, aposentado, reside em João Pessoa. Sua apresentação na Tenda do Cordel em 2009 foi no dia 27 de junho as 20h e 40min.


Apresentação do poeta repentista, Oliveiras de Panelas:

Em LASCADO DE SAUDADE
você vê tanta poesia
de fazer inveja a Dante,
Píndaro de Alexandria,
Camões, Homero, Petrarca
e Castro Alves da Bahia.

NASCIMENTO é um poeta,
pela sensibilidade,
eu vou continuar lendo
livro dessa qualidade.
e assim levar a vida
ME LASCANDO DE SAUDADE.

Um livro feito com arte,
com gosto e desprendimento;
poeta de toda parte,
aqui expõe seu talento;
repentes feitos na roça,
no alpendre da palhoça,
na hora do sol poente;
assim que a Ave Maria
tocava ao final do dia
as esperanças da gente.


Vicente Nascimento:

Eu por exemplo fiquei
pensando na mocidade
foi aí que a saudade,
quando chegou eu lembrei,
então eu lhe perguntei,
o que é que ela fazia?
ela disse que trazia
dor no peito a vida inteira
A saudade é companheira
de quem não tem companhia.

No meu tempo de criança,
joguei pinhão e castanha,
brincava de perde e ganha,
sem perder a confiança,
inda guardo na lembrança,
eu fazia um currazim,
de vaca e boi de ossim,
pra dizer que era gado
Recordando o meu passado
tive saudade de mim.

Não posso vê nunca mais
o que vi quando criança,
as fantasias da vida,
e uma grande esperança
apenas ficou gravado
no arquivo da lembrança.

Minha aposentadoria,
graças a DEUS consegui,
sofri muito e aprendi
trabalhar em parceria;
com chuva, sol, noite e dia,
nunca cheguei atrasado
fui um ótimo empregado,
sem conhecer meu patrão.
Já cumpri minha missão,
hoje estou aposentado.

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Outro livro de Vicente Nascimento é Ser Tão Sertanejo, com 2a. edição de 2008 pela editora Sal da Terra, veja algumas estrofes:



Sou um matuto teimoso
Nascido lá no sertão
Tenho Deus no coração
Não sou um cara invejoso
Não sou homem perigoso
Gosto de fazer amigo
Se não me insultar não brigo
Se for pra parar eu paro
Não compro se custar caro
Não me arrisco em perigo.

Ser sertanejo é ter fé
E acima de tudo um forte
Sofre a falta de escola,
De saúde e de transporte,
Mas resistindo a tudo
Até na hora da morte.

Quando começam as chuvadas
Pras bandas do meu Sertão
Logo a vegetação
Fica de roupas trocadas
O canto das passaradas
É bonito a harmonia
Quem não sabe cantar, pia
Pra ajudar o companheiro
Depois da chuva o Roceiro
Muda a fisionomia.

No meu Sertão também existe beleza
Rio correndo fazendo cachoeira
Açudes cheios sangrando pela beira
E o peixe sobe, cortando a correnteza
Até parece que é a natureza
Dando aboio em forma de trovão
Clareia a noite sem aperto de botão
Com o relampo que traz a claridade
Todo dia eu recordo com saudade
Da minha infância vivida no Sertão.

Vicente Nascimento
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