Folheto de Cordel: A Moeda no Brasil - Autor: Francisco Diniz
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A Moeda no Brasil
Autor:
Francisco Diniz

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A moeda no Brasil
Muito se modificou:
Mil-réis em tempo de rei
E por mui tempo ficou,
Só em 42 (1942)
Pra cruzeiro ela virou.

Veja bem, preste atenção,
Para não se atrapalhar,
O nosso dinheiro aqui
O que mais fez foi mudar,
Porém a vida do pobre
Pouco se viu melhorar.

1967,
O ano em que eu nasci,
Mudou pro cruzeiro novo,
Só hoje que aprendi,
Posso até ter escutado,
Confesso não entendi.
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Em 70 outra mudança
Veio o cruzeiro de novo,
Outra vez os dirigentes
Que "cuidam" do nosso povo
Chocaram essa idéia
Tal galinha choca o ovo.

1986,
Instituído o cruzado,
Durou apenas dois anos,
Fora desvalorizado,
Assim em 88:
Novo dinheiro inventado:

Chamado cruzado novo,
Mas também pouco durou,
Pois no ano 89
O cruzeiro retornou
Pra ficar até 90
Quando outro nome ganhou.
02

Nesse ano de 90
Veio o cruzeiro real,
Dura até 93,
Mas como a coisa ia mal
Surgiu a URV,
Precursora do real.

No ano 94,
Acontece a transição:
U.R.V. é real,
Esta modificação
Trouxe alguns benefícios
Pra nossa população.

E eu lembro como hoje
Quando a mudança ocorreu,
O povo entusiasmado
Muito pouco entendeu,
Mas logo se acostumou
Com o que se sucedeu.
03

A desculpa dos governos
Pras mudanças promover
Não era o bem-estar,
Ao povo satisfazer,
Era ficar na lembrança,
Suas causas defender.

Isso porque a política
Vista em cada ocasião
Tão só desfavorecia
A maior população,
Que pouco ou nada ganhava
De Norte a Sul da nação.

Por outro lado confesso,
O real modificou
O sobe e desce dos preços,
A inflação controlou,
De certa forma o país
Um pouco se organizou.
04

Contudo o trabalhador
Continuou a sofrer
Com um salário ridículo
E tantos sem esse ter,
Outros fazendo de tudo
Pro emprego não perder.

Uma grande legião
No trabalho informal
Vende biscoito, brinquedo,
Adesivo, colorau
Somente com o interesse
De ganhar algum real.

Enquanto os engravatados
Do poder lá em Brasília,
Sem prestar sua atenção,
Para a humilde família
Triplica os seus getons
E monta a armadilha...
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Pra prender os miseráveis
E mantê-los dominados
Ao fazer uma política
Que nós estamos cansados
De saber que não dá certo
Para o assalariado.

Como a nossa moeda
Terá o digno valor
Se o F.M.I.
Continua a impor:
Quanto vale e pra que serve?
Ora, isso é um horror!

Eu sei que até tentaram
Deixar o nosso dinheiro
Com mesmo valor do dólar
No Brasil e no estrangeiro,
Porém o rombo da dívida
Foi o saldo derradeiro.
06

Zé Fiapo, um conhecido,
Comprou uma televisão,
Quando o dólar aumentou
E subiu a prestação,
O presidente pra ele
Era chamado de cão.

E o empresariado
Sempre pra levar vantagem
Esconde a mercadoria
Em armazém e garagem
Visando ganhar depois
Muito mais com a vendagem.

Marizinha ao saber
Que esconderam o cimento
Qué'la queria comprar
Pra fazer um revestimento,
Ela entrou na bodega
Montada em um jumento
07

E arrumou confusão
Que deu na delegacia,
Lá achou Zé de seu Tonho
Que reclamava há dias,
Pois seu dinheiro poupado
No colchão, nada valia.

A nossa moeda aqui,
Hoje chego a conclusão,
Se não tem valor real,
Não vale nem um tostão
É porque nosso Brasil
Vive na corrupção.

Mas quando o nosso povo
Dessa peste se livrar,
Quando a política honesta
No país se instalar,
O dinheiro vai valer
E o pobre vai acabar.
08
FIM

Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 22/08/03 - 27 de janeiro de 2004
REVISÃO MÉTRICA: 01/10/2008
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