O Nascimento de Jesus
Literatura de Cordel
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O mundo modificou-se
E toda a humanidade
Começou a refletir
Outra possibilidade
Na maneira de viver
Depois que nasceu um ser
De Deus, a pura bondade.

Concebido em firmamento
Por gotas d'água de amor
E partículas de nutrientes
Num sopro do criador
Pra representar em juízo
O universo, o paraíso
E a luta contra a dor.

Antes de vir pra esse mundo
Viveu no céu como um anjo
Conheceu bem os mistérios,
Como todo bom Arcanjo,
Respirou sabedoria
No encanto da melodia
De harpa, flauta e até banjo.

Refiro-me a um certo homem
Simples como ninguém visto
Que encanta gerações
Posso dizer que é um misto
De amor, de sapiência,
Humildade e decência
Chamado de Jesus Cristo.
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Faz tempo que ele nasceu,
Há dois mil anos atrás,
Quando Sirênio na Síria
Governava feito ás
E o povo do Oriente
Como hoje, não tinha paz.

Deus do céu, compadecido
Com o povo em sofrimento
Enviou seu próprio filho
Para dar um novo alento,
Esperança e salvação
A quem vive de lamento.

Deus com sua sabedoria
E sempre amando a humildade
Escolheu uma família
Pobre, mas com dignidade
Para assim acolher Aquele
Pra pregar a igualdade.

Com isso o nosso Pai
Nos dar uma bela lição:
Que amemos aos mais simples,
Não importa a condição
O que vale é enxergar
A todos como irmãos.
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Então a jovem Maria
Humilde e religiosa
Que ia casar-se com José,
Cuja alma também bondosa,
Foi consagrada por Deus
Para uma missão honrosa.

José e Maria tinham
Um contrato de casamento
Que diante das famílias
Fizeram um juramento
Pra sempre viverem juntos
Esse era o entendimento.

Maria foi escolhida
Por Deus Pai, o criador
Para acolher em seu ventre
Um Menino Salvador
Que teria a missão
De só falar de amor.

Sendo Maria uma virgem
Foi gestante pelo poder
Do Espírito Santo de Deus
E logo formou-se um ser
Digno do amor Divino
Do clarear ao anoitecer.
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José estava pra casar
Com a bela moça Maria
Que ao falar da gravidez
Do plano que Deus teria
José com educação
Prontamente a ouvia.

Mas, ele não acreditou
Na história que foi contada
E pensava: - Deus do céu
Não escolhe uma coitada
Maria não é mais virgem
E isso é uma piada.

Triste e envergonhado
O carpinteiro ficou
Pensando que ela o traía
Duas vezes não pensou,
Pra moça não difamar
Sozinho saiu a andar
Pra outro lugar se mudou.

Só que ele teve um sonho
Onde um anjo lhe dizia:
- Acorda José, não temas
Está cumprida a profecia
Volte para Nazaré
E vá procurar Maria.
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Maria já concebeu
Abençoada criança
Fruto do poder de Deus
Deixe de desconfiança
Retorne pro seu lugar
E prepare uma festança.

E assim José voltou
Pra viver com sua amada
Construindo uma história
Pelos tempos comentada
Por todas as gerações
Dessa Terra atribulada.

Naquele tempo Augusto
Era o Imperador
E despachou uma ordem
Pra rico, pobre ou doutor
Que todos se registrassem
Fizesse frio ou calor.

O registro da pessoa
Só era feito em sua cidade
Pois contar a população
É o que queria a autoridade
E controlar os impostos
De quem tinha maioridade.
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Por isso que José foi
De uma cidade Nazaré,
Situada na Galiléia,
Pra Belém, por certo a pé
Localizada na Judéia
Terra de um povo de fé.

José foi para Belém
Onde nasceu o rei Davi,
Pois dele era descendente
E assim teve que partir
Com Maria que estava grávida
Era o que tinha a cumprir.

Quando chegaram em Belém,
Maria viu que ia dar à luz.
José procurou pensão,
Pois ia chegar Jesus
Nenhuma vaga encontrou
Para abrigar o santo e jus.

E sem ter alternativa
O casal se dirigiu
Ao abrigo de um estábulo
Quando uma estrela luziu
Conforme já anunciado,
A escritura se cumpriu!
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Nascia Emanuel!
Deus conosco quer dizer.
O Messias para o mundo,
A riqueza e o saber,
Jesus Cristo, Salvador,
A alegria de viver.

Maria, a sua mãe
Em panos o enrolou
Dentro de uma manjedoura
Com cuidado o colocou
E José admirado
Certamente que chorou.

Perto de Belém havia
Pastores a trabalhar
Nos campos durante a noite
Que viviam de cuidar
Dos rebanhos de carneiros
Nessas terras a pastar.

Um anjo desceu do céu
Pros pastores apareceu
E a glória da luz divina
Brilhou e o grupo temeu.
-Não temam - disse o anjo -
A boa nova aconteceu.
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Boas notícias pra vocês
Estou aqui para trazer,
Um motivo de alegria
Pro povo, grande prazer!
Na cidade de Davi
O Messias veio nascer.

Corram e vão olhar
Na manjedoura, o menino.
Nisso uma multidão
De anjos cantavam um hino
Glória a Deus nas alturas
E paz na terra às criaturas
Assim deseja o Divino.

Alguns momentos depois
Quando os anjos retornaram
Os pastores encantados
Depressa assim falaram:
-Nós vamos até Belém
Constatar o que anunciaram.

Os pastores caminharam
Seguindo uma estrela guia
E assim, eles contentes
Chegaram até Maria
Lá animais contemplavam
José e esposa olhavam
A criança que dormia.
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Eles disseram ao casal
O que o anjo havia falado
E quem estava por lá
Ficou muito admirado
Voltaram ao som dos sinos
E a Deus cantaram hinos
Agradecidos e encantados.

Assim se fez o natal
Do nosso senhor Jesus
Que veio ao mundo trazer
Alegria, paz e luz,
Pregar o amor, a concórdia
Mesmo sabendo da cruz.

Com o natal, o nosso Deus
Faz questão de nos lembrar
Que é tempo pra refletir
Nova atitude adotar
Falar do bem, da harmonia
Pra conjugar dia-a-dia
No presente, o verbo amar.

Hoje o natal se festeja
Por quase o mundo inteiro
Lembrando que em Belém
Nasceu Jesus, o cordeiro
E o povo celebra a data
Sete dias antes de janeiro.
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No natal atualmente
Símbolos são cultivados:
Missa do galo, presépio,
Os sinos já badalados,
Os Reis Magos, os presentes
E os cartões tão divulgados.

Os arranjos que enfeitam,
As velas a iluminar,
A ceia pra reunir
As famílias pra orar,
A árvore que é tão bonita
Com suas luzes a brilhar.

Missa do galo é rezada
À meia-noite todo o ano
Pois Cristo Jesus nasceu
Nesta hora e sem engano
Significa o fim das trevas
De todo o tempo profano.

Velas simbolizam Cristo,
Brilho e luz pra todo Estado;
O primeiro cartão feito
Foi por um artista inventado
Que morava em solo inglês
Mil oitocentos e quarenta e três,
John Horley era chamado.
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A ceia tem o sentido
De união familiar
E as bolas coloridas
Servem pra simbolizar
Boas obras que devemos
Dia-a-dia apresentar.

Os sinos são a alegria
Que teremos toda a vida
Estamos sempre a lembrar:
Encontrar Deus é a saída.
Os arranjos simbolizam
Que todos povos precisam
De Cristo como acolhida.

A música traz sentimento,
Encanta ao coração.
"Noite Feliz" no Natal
É uma celebração,
Foi musicada na Austrália
Esta bonita canção.

O nosso papai Noel
Surgiu por inspiração
Do bispo São Nicolau
Que na Ásia fez tradição:
Dar alimento e presente
No século quatro, pra gente
De toda a região.
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O hábito de dar presente
No Natal de hoje em dia
Quem criou foi Bonifácio,
Papa que distribuía
Muitos pães no século sete
Pro povo que padecia.

Na Itália, São Francisco
Teve a idéia de formar
Um belo presépio vivo
Pra Cristo homenagear,
Mil duzentos e vinte e três
O ano da primeira vez
Que isso veio vigorar.

E a árvore de Natal
Foi introduzida primeiro
Por um príncipe iluminado:
Alberto tornou-se herdeiro,
Casou com a rainha Vitória,
Que foi na Inglaterra história
Contada no mundo inteiro.

A estrela de Belém
Lembramos por tradição
Que guiou os Três Reis Magos
Até Cristo, a salvação
Onde José e Maria
Estavam na estribaria
Inundados de emoção.
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Viajaram os Três Reis Magos:
O africano Gaspar,
O europeu Belchior
E o asiático Balthazar
Que viram a seis de janeiro
Aquela estrela brilhar.

Montados em seus camelos
Cortaram grandes desertos
Enfrentando o perigo
Foram à Judéia por certo
Fazer como a profecia
Saudar Jesus, o Messias
E adorá-lo de perto.

Todos se ajoelharam
Tomados pela emoção
Balthazar trouxe o ouro;
Gaspar, incenso às mãos;
Belchior, mirra ofertava
Aquilo que embalsamava
E perfume da região.

Natal é uma grande festa
De amor universal
Só finda Dia de Reis,
Outra data celestial
Quando a árvore é desmontada
Num costume natural.
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O mundo tem que entender,
Natal é celebração
Da vida, de esperança,
De amor e união
Em torno de Jesus Cristo
Deus filho, a salvação.

Não se deve confundir
Natal com festa profana,
Misturar reza e comércio,
Pois a Deus ninguém engana
E não adianta peru
Se a gente não se irmana.

E as pessoas não deviam
Pensar só em consumir,
É preciso respeitar
O que Cristo fez aqui:
Praticar paz e bondade,
Respeito e igualdade,
Partilhar e dividir.

O que vemos por aí
Não dá para aceitar.
O povo só pensa mesmo
Que natal é esbanjar
Panetone e o champanha
E ainda se faz campanha
De Natal sem fome já.
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Ainda sim, temos fome
O ano todo e no Natal
Porque nosso povo sofre
Opressão e vive mal.
Tudo isso é precipício
Jesus Cristo não quer isso,
Seu projeto é divinal.

O mundo só vai mudar
Quando o homem perceber
Que Cristo veio ao mundo
Para que possamos ter
O respeito pelo outro
E o fim de todo sofrer.

Enquanto o povo aceitar
O consumo, a orgia,
A bagunça e a desordem
Aumentar a cada dia
A massa só vai penar
Nas mãos de uma minoria.

E Jesus sofre com isso
Porque ele é puro amor
E está no suor, na pele
Do pobre trabalhador
Que vive acomodado
Suportando sua dor.
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Quantos Cristos por aí
Morrendo pelas calçadas...
Batendo de porta em porta
Sofrendo dores pesadas
Carregando seu madeiro
E levando chicotadas.

Quantos Jesus nas favelas
Nascem com uma grande cruz
De já ser discriminados
Sem sonhos, sem paz, sem luz
Convivendo ali nos guetos
Com ratos e urubus.

Quantos pobres no Nordeste
Perderam a razão de ser
Chorando, enxugam as lágrimas
Vendo tudo se perder
Gritando por Jesus Cristo
Pedindo para chover.

Cada universo é um homem
E cada homem é um ser.
Jesus, em qualquer lugar
Está querendo nascer
Não precisa nem gritar
Basta saber procurar
Cristo dentro de você...

E assim nós terminamos
Mais um cordel para o povo.
Que o homem se liberte
De todo tipo de corvo.
Do mundo se afaste o mal
A todos, feliz natal
E um próspero ano novo.
FIM
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João Pessoa-PB/Santa Helena-PB, 21/24 de dezembro de 2001
Autores:
Francisco Diniz
Valentim Martins Quaresma Neto