O Menino Comilão

Literatura de Cordel

Autor: Jailson Henrique de Lima

Editoração e revisão: Francisco Diniz

 

 

1 Vou falar de um menino

Desses, muito comilão,

Comia tantas porcarias,

Vivia com indigestão

O intestino não agüentava

Vinha os gases e então...

 

2 O menino comilão,

Usava de extravagância,

Acho que não percebia

Toda a sua ganância

Sendo vítima da dupla:

Preguiça e ignorância.

 

3 Ele era persistente,

Não parava de comer,

Assim logo as gordurinhas

Passaram a aparecer

E problemas de saúde

Ele viu desenvolver.

 

4 E surgiu a pressão alta,

Chamada de hipertensão,

Causada pela comida

Com uma má preparação,

Cozida com muito sal

No arroz, carne ou feijão.

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5 A pipoca e o salgadinho

Aumentaram este mal,

Pois ele comia tudo

E sem cerimonial

Adorava todo doce

Sofisticado ou banal.

 

6 Aumentou o colesterol,

Triglicérides também,

Não agüentava correr,

Não ganhava pra ninguém,

Ficava logo cansado

E não se sentindo bem.

 

7 Não podia mais brincar

Tinha pouco movimento

Se caso ele tentasse

O cansaço era tormento

Só reclamava da vida

Todo dia era lamento.

 

8 Foi levado ao hospital,

Muitas vezes medicado,

Mas pouco tempo depois,

Retornava ao errado,

Comia mais salgadinhos,

O caso era complicado.

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9 Com a carne gordurosa

Ele se deliciava,

Com enlatado e fritura

Ele não se importava,

Porém o colesterol

Dia-a-dia aumentava.

 

10 Alimentação saudável

Dificilmente comia,

Nem mesmo algumas frutas:

Uva, manga e melancia,

Mas se ele visse um bolo,

Gulosamente o comia.

 

11 De tão gordo que ficou

Todo mundo o zombava,

Tinha tantos apelidos,

Tais como: baleia inchada,

Elefante e pançudo,

Alguém sempre o humilhava.

 

12 Já tinha uns treze anos,

90 quilos, seu peso,

Quanto mais ele comia

Muito mais ficava obeso

Uma outra conseqüência

Tinha o ‘‘intestino preso”

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13 Não praticava um esporte

E a sua rapidez

Era só para comer,

Veja que insensatez,

Parava no hospital

Mais de uma vez no mês.

 

14 Se ele desse importância

Ao mundo que há lá fora

Compartilhava um pouco

Mandava o egoísmo embora

Alimentando uma criança

Ou uma pobre senhora.

 

15 Não faltaria na mesa

Se repartisse um pouco,

Contudo não refletia

Comia como um louco.

Se lhe pedissem comida

Fingia que era mouco!

 

16 Quase não achava roupas

Que desse pra ele usar,

Pegar um ônibus lotado

Era difícil entrar

Sem contar que na cadeira

Só dava pra ele sentar.

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17 E na hora do almoço

Se houvesse gente à mesa

Podia ficar sem nada,

Ele não tinha fineza,

O olho maior que a boca,

O estomago, uma grandeza.

 

18 Seus pais estavam aflitos,

Não sabiam o que fazer,

O menino era teimoso,

Só falava em comer,

Dieta que era bom,

Não pensava em fazer.

 

19 De tanto constrangimento

Certa vez pediu ajuda,

A mãe o levou ao médico

“Doutor, por favor, acuda”,

Que disse, – “minha senhora:

É uma doença aguda...

 

20 Que pode até matar,

Porém há uma solução,

Basta que ele e a família

Tenham boa educação,

Botem em prática o que digo,

Façam uso da razão.

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21 Levem-no à natação,

Em três dias alternados,

Botem ele pra jogar bola

E para fazer mandado,

Tirem-no do vídeo game,

Do que tem se alimentado?

 

22 Nada de cachorro-quente,

De hamburger, refrigerante,

Cat chup, maionese,

Mostarda, pastel, corante.

De coxinha e chocolate

Vocês passem bem distante!

 

23 Não comprem doce ou bombons,

Nem bolacha recheada,

Essa pipoca crocante

Só deixa a criança inchada,

Aliás toda comida

Que é industrializada.

 

24 Esses sucos em saquinhos

Que vêem para dissolver,

Bem como o engarrafado,

Só o que podem trazer

É gastrite ou obesidade,

Com o tempo a gente vê.

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25 Se beber refrigerante,

Assim quase todo dia,

Se a comida é mortadela,

Salsicha quente ou fria,

Lingüiça, bacon, salame,

Prepare-se para a azia.

 

26 Além de fazer exercício

Use outros alimentos:

Cereais, frutas, legumes,

Evite o condimento,

Nada de comer em excesso

Para evitar o tormento!

 

27 Você deve entender:

Comida demais faz mal,

Lute para conseguir

O seu peso ideal,

Senão o seu coração

Não funciona normal.

 

28 Você, além de estudar,

Pode brincar de correr,

Jogue bola, não hesite,

Pode se locomover,

Evite ficar em casa

Apenas vendo tv”.

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29 o médico recomendou,

O menino fez a dieta,

Pouco a pouco a comida

Que era a sua predileta

Fora substituída

A vida tinha outra meta.

 

30 Foi preciso o esforço,

A conscientização

Do menino e da família

Para enfrentar a questão,

Pois tudo a gente resolve

Quando usa a educação!

 

31 Mudando o estilo de vida,

O mundo modificava,

Diversão, saúde, amigos

Isso agora importava

E com o tempo o menino

Outra aparência ganhava...

 

32 Melhorou sua saúde,

Sua auto-estima também,

Comportava-se agora

De fato, como alguém

Consciente e preocupado

Em não ser um Zé Ninguém!

Fim.

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Editoração e revisão: Francisco Diniz

 

Jailson Henrique de Lima

 

Nasceu em 04.11.1988 em Santa Rita-PB. Concluiu o Ensino Médio na Escola Estadual Francisco Leocádio, em Várzea Nova, Santa Rita-PB. Começou a escrever folhetos em 2002 no Projeto Cordel da escola municipal Instituto São Marcus, em Santa Rita-PB onde cursou o ensino fundamental. Participa de exposições de cordel em escolas, em feiras e esteve presente durante a Tenda do Cordel, evento realizado pela Prefeitura de João Pessoa, no São João e Festa das Neves nos anos de 2007, 2008 e 2009. Participou de matérias na tv Cabo Branco e tem cordéis seus expostos no site na internet: www.projetocordel.com.br. Com o cordel O Menino Comilão foi o 4º. colocado no Concurso Novos Escritos da Funjope/2008.