Literatura de Cordel
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Literatura de Cordel

Autor: Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 08 de março de 2007.
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Salve, salve passageiros
Aqui do trem da cultura
A todos peço licença
Pra expor em literatura
De cordel
um pouco da história
De grande envergadura.

Criada por nosso povo,
Que em outrora fizera,
Que hoje faz muito mais,
Que reflete, que pondera,
Que tanto idealizou
E o bem sempre quisera.

João Pessoa, capital,
Inicialmente chamada
Nossa Senhora das Neves,
E também denominada
Filipéia, Frederika,
Parahyba, terra amada!

Terra que era do índio,
Antes de chegar o invasor,
Cuja vida natural
Promovia o vigor
De um homem muito robusto,
Bravo e de vermelha cor.
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E chegaram os portugueses,
Os holandeses e além
Dos franceses, de piratas,
Sabe-se lá de onde vêm,
Todos queriam explorar
E o índio ficou refém,

Como assim aconteceu
Em todo o nosso Brasil:
Nativo catequisado,
Homem branco instituiu
Sua força, sua lei
E outro mundo construiu.

Principalmente às custas
Do indígena escravizado,
Que por não se adaptar
Ao tal regime malvado
O nosso pele vermelha
Pelo negro foi trocado.

Negro que veio da África,
Onde era importante,
Para sofrer humilhado
Numa terra tão distante
Devido à gana e ruindade
De um ser que se diz pensante.
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Mas antes do africano
Em nossa terra chegar,
O português com o índio
Um pacto veio a firmar,
Construiu uma certa paz
E foi possível fundar...

A cidade bem às margens
De um Sanhauá preservado,
Rio que abrigava o Porto
Do Capim, desativado
Em 1935
Quando fora inaugurado...

O Porto de Cabedelo.
Neste período também
Começou a funcionar
Até Cabedelo o trem
E assim João Pessoa cresce
Lutando pra ir além...

Além do rio, do mar,
Lembrando de sua história,
Ensinando sua gente
A reconhecer as glórias,
Seu legado, sua cultura
E expressar sua memória...
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Em todo e qualquer momento
Ao turista, ao estudioso:
Os momentos, os episódios
De um tempo então saudoso
Pra motivar um atual
Bem muito mais valoroso.

Ao entrarmos neste trem
Que possamos vislumbrar
O trabalho do homem simples
Que faz o vagão andar
Desde o pregar os dormentes
Até o mato roçar...

Dar valor ao maquinista,
Também ao auxiliar,
Ao bilheteiro, ao guarda
E a quem vive a atuar
Pra que o povo dia-a-dia
Seguro vá viajar.

Partindo de João Pessoa
Em busca do litoral
Podemos nos deparar
Com uma vista sem igual
Prédios que ostentam um passado
Ou um mundo atual.
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Um pouco do Centro Histórico,
A catedral, na colina,
Casarões que se mantêm
Em estado de ruína,
Mas se forem restaurados
Terão uma outra sina.

À beira da linha vemos
Crescerem comunidades,
Um lixão desativado
Pro bem de toda a cidade
E o retrato de uma vida
De dura realidade...

De quem constrói a riqueza,
Mas dela pouco desfruta,
Mesmo assim não desanima
E continua na luta
Desde o raiar do dia
Nosso povo não se furta

E percorre as estações
Mandacaru, Renascer,
Jacaré, com o pôr do sol
Que o turista vem ver,
Chegando em Cabedelo
No mar pode se entreter.
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O turista ou o nosso povo
Pode aqui se encantar
Numa viagem de trem
O manguezal apreciar,
A paisagem ribeirinha
Ou a Mata Atlântica olhar.

Sentirá o vento suave
Da janela do vagão,
Virá um céu azulado,
Típico desta região
E ao som das rodas de ferro
Sentirá uma emoção.

Realçada no apito,
Que despertará alguns,
E integrado à rotina
É relógio para uns
Milhares de personagens,
Trabalhadores comuns.

Quem realiza o trajeto
Enxerga o dia-a-dia
De pessoas trabalhando,
Dos carros na rodovia,
Do contraste social
Que entristece a poesia:
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Condomínios de luxo,
Casebres de papelão,
Carros novos, bicicleta,
Carroça e avião,
Gente pescando em canoa
Ou em bela embarcação.

Porém essa nossa gente
Que vive em dificuldade
Tem fama de valentia,
Maior a sua bondade,
Tem vocação pro sorriso,
Merece a dignidade...

De uma vida com trabalho,
Não com um salário de morte,
Merece oportunidades
Sem necessitar da sorte
E aos poucos com sua luta
Vai chegando até o forte.

Contudo pra conquistá-lo
Todos devem empunhar
A arma da educação
E se conscientizar
Que com o agir coletivo
Poderemos prosperar
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Pra começar dar valor
A nossa identidade,
Ao nosso potencial,
A nossa historicidade,
Só assim vamos dizer:
Temos a felicidade...

De uma cultura valiosa
Em danças, mitos, lazer,
Teatro, artesanato,
Música, arte plástica, saber
Popular e acadêmico,
Temos muito a oferecer.

Aqui se expressa a fé
E uma cultura de paz,
A solidariedade,
Esportista que é ás
- Kaio Márcio é exemplo
Só um pouco o que a gente faz!

Poetas que emocionam,
Um verde que anima a vida,
Matas do AMÉM, Buraquinho,
Que fornecem a acolhida
Às plantas e aos animais,
João Pessoa dá a partida...

Para o desenvolvimento
Levando o povo de trem
Pra Cabedelo, Bayeux
E a Santa Rita também,
Preço: cinqüenta centavos,
Que não agride a ninguém.
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O trem é barato e útil,
Mas vamos dele cuidar
Não sujar ou atirar pedra,
Pois isso pode causar
Prejuízo a nós mesmos,
Devemos sempre lembrar

Que ele é patrimônio público,
Não é de um governante,
É de cada um de nós,
Por isso a cada instante
Vamos ter essa consciência
E passá-la a diante.

A todos que pregam o bem
Sejam nossa companhia,
Vejam o autêntico forró,
Ciranda e cantoria,
Coco e tribo indígena,
Blocos que dão alegria.

Durante o pré-carnaval
Muriçocas, Cafuçu,
Homem vestindo mulher
Nas Virgens de Tambaú,
Meninos dançando Urso
E jovens Maracatu.

Aqui a Paixão de Cristo
Já é atração nacional,
O povo encena um auto,
Que é espetáculo cultural,
Traz beleza e emoção
Ao milenar ritual.
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No São João, nossa cultura
De origem popular
A cada ano consegue
Espaço pra se mostrar:
Tem quadrilhas, rabequeiros
E o povo todo a dançar...

Ouvindo a banda de pife
Ou o forró pé-de-serra,
Com sanfona e zabumba
E o triângulo que não erra,
Um baião, xote, xaxado,
Os ritmos de nossa terra.

Em João Pessoa, o povo
Fez campanha e adotou
Posturas interessantes
E muita coisa mudou,
Usar a faixa de pedestre
Foi boa coisa que vingou.

Geralmente o motorista
Tem demonstrado respeito,
Acenando ao transeunte
Que ele tem o direito
De passar e isso mostra
Que educação faz efeito.
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Já vemos criança, jovem
Dizendo um obrigado
A um gesto de gentileza,
A um favor realizado,
Aos poucos damos exemplo
De um povo educado,

Que um dia porá em lixeira
O que não vai consumir,
Que debate o orçamento
Da prefeitura daqui,
Que demonstra tolerância
E ao diferente, sorrir,

Mostrando que é possível
Convivência harmoniosa
Com deficiente físico,
Com garota vultuosa,
Com gay, negro, prostituta,
Idoso ou mulher charmosa.

Só desejo que este povo
Não demonstre tolerância
Com político corrupto,
Que em nome da ganância,
Rouba, mente, compra voto
E à ética não dá importância.
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Eu quero vir nosso povo
Na tv denunciando
O que houver de errado,
Dia-a-dia reclamando
E no rádio ou jornal
Sempre se posicionando

Em favor de seus direitos,
De um vida com melhorias
Em educação e saúde;
Transporte e moradia;
Emprego e segurança;
Lazer, água, energia.

Que possamos ter cuidado
Com o nosso meio ambiente,
Com as DST's e aids
Que afetam muita gente,
Com a alimentação saudável
E a população carente.

Pra que todos possam ver,
Pra que possam desfrutar
Do Parque Arruda Câmara,
A Bica, ou irem ao mar
Cuja extensão de praias
Dar prazer a gente olhar.
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Temos a Ponta do Seixas,
Ponto mais oriental
Das Américas e temos,
Da era colonial,
O Pátio de Frei Gonçalves
Hoje, palco cultural

Que abriga a igreja
Daquele religioso,
Ao lado, o Hotel Globo
Que outrora imperoso,
Também O Casarão 2,
Outro lugar prestimoso.

Onde surgiu a cidade
Há o Porto da Casaria
Ou o Porto do Capim
Cujo fim ele teria
Quando o Porto Cabedelo
Então funcionaria.

Próximo ao Porto do Capim,
O Casarão Amarelo,
A Alfândega em ruínas,
Que era um lugar belo
E em frente a Guarda Moria
Se não sabes, eu revelo...
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Havia os Armazéns do Porto
Onde as mercadorias
Iam ou chegavam em barcos
Pequenos, mas de valia,
Já as grandes embarcações
Aportavam na Bacia...

Bacia do Paraíba,
Seu papel é importante
Inda hoje ao pescador
Com a diferença que antes
A poluição do leito
Não era preocupante.

Por aqui há grande acervo
Para a gente observar:
A Praça Antenor Navarro
No passado a se chamar
Praça de Aluguel de Carros
Sempre foi belo lugar.

Cercado por casarões
Importantes no passado,
Hoje é o Centro Histórico,
Um pouco reestruturado
É palco de grandes festas
Precisa ser preservado.
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E monumentos históricos
Nós poderemos citar:
A antiga Fábrica de Vinhos
Tito Silva
a se fundar
Em 1892
E ficou a funcionar

Até o início dos anos
80, século passado.
Muitos outros ambientes
Podem ser relacionados:
Associação Commercial,
Praça Álvaro Machado,

Praça 15 de Novembro,
A bela Mata do AMÉM,
A Praia do Jacaré,
Que hoje já é um bem
Cultural da Paraíba,
Conhecida muito além...

Das fronteiras do lugar.
Nós temos a Fortaleza:
Forte Santa Catarina
Pra defender a riqueza
E há a Ilha da Restinga
De grandiosa beleza,
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Bem como tantos lugares
Que encantam o turista
- E a nossa gente também -
Cuja alma é de artista,
Que sabe bem acolher,
É simples e altruísta.

Conheça a Paraíba,
Comece por João Pessoa,
Desfrute da culinária,
Sem dúvida é muito boa
E a riqueza cultural
É pássaro que muito voa.

Veja as artes, os monumentos,
As riquezas naturais
Presentes do litoral
Em suas cores matinais
Ao Brejo, Agreste, Sertão
E as regiões demais.

Visite as nossas praças,
Estão lindas de se ver:
Coqueiral, Paz, Rui Carneiro
E pra quem quer aprender
Sobre presente e passado,
Conheça o IHGP.

Nós muito agradecemos
Por você nos visitar,
Por viver a nossa história
Que um pouco vimos contar,
Seja feliz, caro amigo,
Nossa terra é seu lugar!
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Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 08 de março de 2007
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