Um dia a gente aprende a votar, cordel de Francisco Diniz.
Literatura de Cordel
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Um dia a gente aprende a votar
Literatura de Cordel
Autor:
Francisco Diniz

João Pessoa-PB, 01 de setembro de 2004.
Cordel renomeado e revisado em 11 de fevereiro de 2014.
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Os que sonham anunciam
Que os bons tempos virão
Pra provar que da labuta,
Do suor da plantação
Irá brotar uma outra vida
Aos que habitam nesse chão,

Pra melhorar a condição
Dos-sem-a-perspectiva,
Que sofrem pelo descaso,
Falta de iniciativa
De quem comanda o barco,
Mas o deixa à deriva.

Com desculpa cansativa
De que é preciso esperar
Tempo cada vez maior,
Inda vem anunciar
Que possui experiência
Na arte de comandar.
-1-

É preciso contemplar
As visões antes/após,
Que iremos compreender
Quando estivermos a sós,
Pra enxergar novo horizonte
Só vai depender de nós.

Das crianças aos avós
O mundo que há porvir
Poderá ser diferente
Se soubermos intervir,
Se soubermos evitar
Quem tem o hábito de iludir.

Para então construir
Outra forma de viver
É necessário ousadia
E de fato entender
Que emana das nossas mãos
Um importante poder.
-2-

Só que devemos saber
Seguir o ensinamento,
Que estabelece a ética
Como precípuo instrumento
Para gerir as ações
E mudar o comportamento

Do tal favorecimento
Pra algumas autoridades,
Em detrimento daqueles,
Que são da comunidade
Carente e sem justiça,
Que sofrem muita maldade.

Como falta a vontade
De quem detém o poder
Pra usar bem os recursos
E assim oferecer
Um digno serviço público
Com o intuito de atender...
-3-

A quem só vive a sofrer
Por falta de moradia,
De saneamento básico,
Emprego e alegria
De ter acesso ao lazer
E o principal eu diria:

Falta a metodologia
Coerente pra educação,
Pra resgatá-la do caos,
Da triste situação
Onde o último lugar
É hoje a premiação.

Tem culpa o(a) presidente,
O secretário, prefeito,
Além do governador
Que não investem direito,
Não priorizam o saber
Pra transformar o sujeito.
-4-

Pra conseguir esse pleito
Basta o agir corretamente,
Reciclar o professor,
Pagá-lo dignamente,
Estruturar a escola,
Só que permanentemente.

Ter uma merenda decente,
E o aluno acompanhar
Buscando assim simplesmente
Outra pessoa formar
Onde presente e história
Não possam se separar.

Saúde prestigiar,
A imensa fila extinguir
Para que o cidadão
Não venha a se sentir
Humilhado por não ter
Hospital pra lhe servir...
-5-

Que não venha a sair
De casa, de madrugada,
Para arriscar uma ficha,
Cochilando nas calçadas,
Para falar com um médico
E que a gente desprezada

Possa ser prestigiada
Com alimento em fartura,
Com um transporte adequado,
Com uma cidade segura,
Com um agir sem corrução
Por agentes da prefeitura.

Que a nossa boa cultura
Ocupe aqui o seu lugar,
Que tenha destaque tanto
O clássico e o popular
Como o antigo e o novo
Desde que possam mostrar
-6

O valor do expressar
Sem a praga do modismo
Que afronta, que engana
E prega o consumismo,
Que em nossa cidade haja
Investimento em turismo.

Divulgando o paisagismo
- Que é exemplo mundial -
Um fruto do nosso povo,
Que mantém o ideal
De ampliar o que chamamos
Consciência ambiental.

Que seja enfrentado o mal,
Que é a corrupção.
Que se invista em esporte
Visando a educação
E na área social
Que haja organização
-7-

Do povo num mutirão
Para assim fiscalizar
Com a devida transparência
O ato de governar
Pra não ser mais permitida
A ação de engabelar.

Que esta terra possa dar
Valor ao nosso cordel,
Que surgiu na Paraíba
Mas está jogado ao léu,
Pois nossas autoridades
Desprezam o seu papel.

Podemos não ter um céu,
Mas podemos melhorar,
Depende do que fazemos,
De quem nos representar,
O futuro nos pertence,
Basta sabermos votar.
-8-

Francisco Diniz

João Pessoa-PB, 01 de setembro de 2004
Cordel renomeado e revisado em 11 de fevereiro de 2014.

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