O Cordel da Greve dos professores de Santa Rita- Francisco Diniz- www.projetocordel.com.br
O Cordel da Greve
dos professores de Santa Rita
Bandeira da Paraíba


Autor:
Francisco Diniz

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Excelentíssima senhora
Professora, esquecida;
Excelentíssimo senhor
Professor, quase sem vida,
Um momento de atenção
Pra este colega e irmão,
Que entende bem sua lida,

Pois também sou professor,
E ao dirigir-me a vocês,
Através do meu cordel,
Desejo mais uma vez,
Expressar o sentimento,
Que me invade o momento,
Neste dia 16...

De maio, 2012,
Aqui nesta Santa Rita,
De solo paraibano,
Que tem história bonita
De um povo que sempre luta,
Todo dia na labuta
E na justiça acredita.
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Digníssimos colegas,
De missão laboriosa,
Contudo sem o respeito
De uma função honrosa,
Pois nossa sociedade
Não enxerga a qualidade
E a tarefa grandiosa...

Que é educar nossa gente
Numa precária escola,
Onde a sua estrutura,
É chutada, feito bola,
Pelos nossos governantes,
Que pagam entediantes
Salários como esmola.

Mas a culpa, eu bem sei,
Pelo descaso existente,
Em nossa educação
Não é só do indecente,
A quem chamamos gestor,
Tem culpa o professor,
E isso dói, minha gente!
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Nós todos somos culpados,
Por não sabermos unir
Toda a classe numa luta,
Que seja capaz de exigir
A ideal condição
Para a nossa educação
No presente e no porvir!

Se todos educadores,
Mas todos, sem exceção,
Cruzassem de vez os braços
E dissessem um alto NÃO,
Nós só vamos trabalhar
Quando o governo atuar
Respeitando a educação.

Ah, se nós, caros colegas,
Tivéssemos a consciência,
Falo de forma geral,
Do conceito de decência,
Saberíamos escolher
Quem teria o poder
Para agir com coerência.
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O fato é que a maioria
Dos nossos educadores
Se acomodou com pouco,
Defende tanto os gestores
- Como a abelha o seu mel -
Que se esqueceu do papel
Principal dos professores,

Que é agir dando exemplo
Na prática do dia-a-dia
E ensinar aos alunos
Que a tal cidadania
É a participação,
Trabalho em união,
Que produz a harmonia.

Carecemos, meus colegas,
De uma revolução,
Cujas armas não dão tiros
De revólver ou de canhão,
As armas que prego aqui
São um pensar, um agir
Em prol da educação.
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E isso significa
Grandioso investimento
Em quatro bases que são:
Formação de fundamento,
Estrutura da escola,
Um salário, não esmola,
Bom gestor em todo momento.

Meus caros, que fique claro,
Não sou candidato a nada,
Meu discurso em cordel
É cavalo em disparada
Querendo um dia alcançar
Meio pra conscientizar
Uma gente enganada.

Que ainda não percebeu
Todo o poder que tem,
Mas que se deixa levar
Por quem sabe enganar bem,
E isso me entristece,
Pois todo o povo padece
E vive sempre aquém...
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De todo o potencial,
Tal vive o educador
Ao não partilhar a luta
Do amigo trabalhador
Do pó de giz, esquecido,
Atuando sem sentido,
Agindo só com temor.

Temor de perder o emprego,
De descontarem o salário,
Temendo ser perseguido
E se escondendo num armário
Lotado de ilusões,
Pois mentira de patrões
É conversa pra otário.

É triste, caros colegas,
Nós termos na contramão
Quem tem o nobre papel
De formar opinião,
De mãos dadas, sorridente,
Defendendo arduamente
Interesses do patrão.
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Não é política, esta greve,
Embora toda ela seja,
Mas a política aqui
Que a nossa classe enseja,
É a devida correção
Nos salários que o patrão
Nunca respeita e deseja.

Por isso estamos aqui
Para outra vez lembrar:
Não existe compromisso
De quem vive a comandar
O poder público daqui,
Quando um dia existir
Greve nenhuma haverá.

Enquanto isso, colegas,
Eu quero me dirigir
Aos parceiros que ainda
Se esquivam a aderir
Ao movimento grevista,
Mas lembro, nossa conquista
Só a justiça vai impedir!
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Portanto, humildemente,
Faço aqui um pedido
Venham encorpar a luta,
Fazer o que temos lido
Sobre solidariedade,
Respeito, dignidade,
Persistência e sentido.

Somente a nossa luta
Coletiva, independente,
Intrépida, sem desrespeito,
Sobretudo consciente
Que só a educação
Soerguirá a nação,
Libertará nossa gente.

Quando um dia o professor
For no país respeitado,
Com status de juiz,
Salário de deputado,
Não se falará em greve
E esta página só se escreve
Deixando o medo de lado.
8
FIM

Francisco Diniz
Santa Rita-PB, 16 de maio de 2012
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