Literatura de Cordel
www.projetocordel.com.br

Projeto Cordel na Escola
Autor: Francisco Ferreira Filho Diniz
E-mail:
literaturadecordel@bol.com.br

Site:
www.projetocordel.com.br



Objetivos

8 Reconhecer a importância da literatura de cordel enquanto patrimônio histórico e cultural do povo paraibano, nordestino e brasileiro.

8 Utilizar a poesia de cordel como recurso pedagógico para debater temas relacionados à educação escolar como cidadania, solidariedade, preconceito, discriminação racial, consciência ambiental, espiritualidade, ética, educação sexual, combate às drogas, violência, condição social da população, amor ao próximo.

8 Estimular a leitura, produção e edição de folhetos de cordel entre professores, alunos e demais integrantes da comunidade escolar.

8 Contribuir para o resgate da literatura de cordel na perspectiva de transformá-la em veículo de comunicação de massa.

8 Realizar exposições em escolas, feiras livres, praças públicas, emissoras de rádio, carros de som, em outros ambientes e meios de divulgação.

Justificativa

Literatura de Cordel
É poesia popular
É historia contada em versos
Em estrofes a rimar
Escrita em papel comum
Feita pra ler ou cantar.

A capa é em xilogravura
Trabalho de artesão
Que esculpe em madeira
Um desenho com ponção
Preparando a matriz
Pra fazer reprodução.

Os folhetos de cordel
Nas feiras eram vendidos
Pendurados num cordão
Falando do acontecido,
De amor, luta e mistério,
De fé e do desassistido.

A minha literatura
De cordel é reflexão
Sobre a questão social
E orienta o cidadão
A valorizar a cultura
E também a educação.

Mas trata de outros temas:
Da luta do bem contra o mal,
Da crença do nosso povo,
Do hilário, coisa e tal
E você acha nas bancas
Por apenas um real.

O cordel é uma expressão
Da autêntica poesia
Do povo da minha terra
Que luta pra que um dia
Acabe a fome e miséria
Haja paz e harmonia.

        A poesia popular, enquanto literatura oral já existe há mais de 3.500 anos. No Brasil o cordel chegou, trazido de Portugal, onde era vendido como "folhas soltas", mas foi com um poeta nascido em Pombal, que ele ganhou celebridade. Foi Leandro Gomes de Barros quem primeiro passou a editar e comercializar, no final do século XIX, o folheto na forma tal como temos atualmente, por isso ele é considerado o patriarca dessa expressão popular e a Paraíba é tida como o berço da literatura de cordel.

        O cordel que era vendido nas barracas das feiras livres pendurado em cordões e recitado ou cantado pelos poetas violeiros para atrair os compradores, hoje sofre dos males do esquecimento e do abandono, explicado pelo advento da era tecnológica e assimilação desenfreada da cultura estrangeira. Ele já foi, no interior do Nordeste, o jornal, a música, o lazer de um povo que se reunia nos salões ou terreiros das casas para fantasiar histórias lidas por aqueles que dominavam os códigos da leitura e servia também para alfabetizar tantos outros que as vezes sabia de cor folhetos famosos. O hábito de ler cotidianamente o cordel fez surgir no Nordeste poetas de expressão como Patativa do Assaré e revelar ao mundo uma música inigualável de Luiz Gonzaga, valores que sintetizam a grandiosidade da nossa arte popular.

        O cordel precisa sobreviver e voltar a ser uma cultura de massa tal como antigamente. Certamente alguns poetas continuarão nas feiras, outros levarão suas obras às bancas de jornal, livrarias, outros ainda procurarão utilizar os recursos da mesma era tecnológica que ajudou a sucumbi-lo - como o rádio, jornal, tv e agora mais recentemente a internet - para fazer chegar aos quatro cantos do mundo a imponente cultura nordestina.

        Contudo, acreditamos que a literatura de cordel só poderá se transformar numa cultura de massa a partir do momento que a escola passar a estimular o seu uso, ou seja, a comunidade escolar (alunos, professores, funcionários) adotar o hábito da leitura. Quando a escola procurar conscientizar a todos da real necessidade de se preservar o cordel enquanto saber histórico, estaremos caminhando em direção a sua revitalização.

        Levar a literatura de cordel até a escola significa oferecer um importante e motivante meio de educação aos alunos dos ensinos fundamental e médio. Através da poesia popular o aluno poderá conhecer aspectos da história do nordestino, pois o cordel retrata a cultura, o cotidiano, a realidade do povo e suas peculiaridades. Mas pode versar sobre qualquer assunto e ser utilizado como recurso pedagógico para debater temas relacionados à educação escolar como cidadania, solidariedade, preconceito, discriminação racial, consciência ambiental, espiritualidade, ética, educação sexual, combate às drogas, violência, condição social da população, amor ao próximo...

        Ter o cordel nas bibliotecas das escolas pode representar um passo extremamente valioso para o devido reconhecimento e resgate desse tipo de literatura e dar à nova geração a oportunidade de apreciar a riqueza e expressividade da nossa cultura. Significa observar o contato do passado, da memória do saber tradicional, do conto poético numa linguagem ao mesmo tempo simplória e bela, de fácil compreensão e de uma engenhosidade singular observada na construção dos versos e rimas. A escola tem que obrigatoriamente prestigiar a cultura popular, caso queira preservar a sua própria história. E demonstrar preocupação na manutenção do saber é assumir e incorporar a sua rotina o contato com as manifestações que o povo cultiva, que apresentam significância e um visível potencial pedagógico. A literatura de cordel é uma dessas manifestações que devem e precisam ser utilizadas no ambiente escolar.

        Enquanto livro para-didático ou leitura suplementar o cordel pode conduzir o leitor a uma viagem fascinante, a um universo textual completamente diferente do habitual onde a rima é um dos elementos que atrai, que desperta a curiosidade além de suscitar a sensibilidade artística.

        No espaço escolar o cordel poderá ser usado para estimular a criatividade. Como é uma leitura que pode ser cantada, acompanhada de um ou vários instrumentos musicais como viola, rabeca, sanfona, violão, pífano, zabumba, flauta, pandeiro ou outro de interesse do professor, vemos a riqueza da sua utilização. Indiretamente há um incentivo à aprendizagem de determinado instrumento musical, ao próprio canto e à estimulação da educação rítmica, mesmo para aqueles que não queiram estudar ou compor música. Finalmente pode-se orientar os alunos a produzir histórias, o que de fato mais contribuirá para que sejam revelados valores e com isso fazer perpetuar em nossa região o estigma de lugar dos grandes poetas.

        Por ser confeccionado com material simples, o folheto de cordel tradicionalmente teve preço acessível e as pessoas de baixo poder aquisitivo sempre tiveram oportunidade de adquiri-lo. Hoje falta divulgação para que ele seja conhecido pelas novas gerações, além de políticas públicas de incentivo.

        Adquirir títulos com o objetivo de serem distribuídos aos alunos da rede pública de ensino, bem como a sua aquisição para o acervo das bibliotecas das escolas, poderiam ser iniciativas dos governos que muito iriam contribuir nessa tarefa de promoção do cordel. Outro meio seria a realização de concursos no interior das escolas, patrocinados com a incumbência de revelar talentos onde os vencedores poderiam ter as suas obras editadas.

        Na escola o aluno deveria ser estimulado a ler, compor, conhecer as rimas, os tipos de versos, assim como estudar e criar a própria xilogravura e o professor ter oportunidade de participar de cursos sobre cordel para poder ter melhor embasamento para trabalhar com os alunos.

        Considerando a literatura de cordel como Patrimônio Histórico do Povo paraibano, nordestino e brasileiro, vimos sugerir às Secretarias de Educação de todos os municípios e Estados do Brasil, que seja implantado o "Projeto Cordel na Escola" com o objetivo de favorecer o acesso ao cordel para todos os alunos das escolas do país nos seguintes termos:

a) que cada aluno receba um exemplar da literatura de cordel - "Prece para a Libertação do Homem" - vide anexo;

b) que cada escola receba um kit, que disponibilizamos, composto de 20(vinte) títulos diferentes para utilizar no acervo de sua biblioteca - vide anexo;

c) que seja realizado encontro entre o propositor deste projeto e professores para debater a literatura de cordel na perspectiva de prepará-los para melhor trabalhar com os alunos os meios de produção de cordéis;

d) que seja viabilizado concursos entre alunos de todas as escolas para revelar talentos na literatura de cordel cujos vencedores tenham seus trabalhos editados.

Orçamento

1 - Preço do cordel por unidade...........R$ 3,00 (três reais).

1.1 - N.º de alunos contemplados com um exemplar do cordel "Prece para a Libertação do Homem"................ o número de alunos matriculados no município ou Estado.

2 - Quantidade de cordéis que compõe o kit..........20(vinte) vide anexo.

2.1 - Preço do kit de cordel por unidade........................R$ 60,00 (sessenta reais).

3 - Preço de palestra de cordel para professores com duração de 4 (quatro) horas...............R$ 500,00(quinhentos reais).

Santa Rita - PB, outubro de 2014,

__________________________________
Francisco Ferreira Filho Diniz
Professor/Cordelista


Dados sobre o autor

Francisco Ferreira Filho
Diniz, este é o meu nome.
A escola é meu trabalho
A cultura me consome,
O meu sonho é que no mundo
Haja paz e acabe a fome.

Por Nenen, desde menino
Sou também denominado
E em Educação Física
Desde 90, formado
E como todo professor
Ganho pouco, ando estressado.

Estudo pra ser poeta
E sou um simples cordelista
Não busco obter fama
De respeitado artista
Mas, a cultura do povo
Eu nunca a perco de vista.

Sou também capoeirista
Violência me faz mal
Gosto da Capoeira Angola,
Admiro a Regional
E meu Mestre é Paulista
Que hoje vive em Portugal.

Eu nasci em Santa Helena
Situada no sertão
Uma cidade bem pequena,
Mas de grande coração,
Nos confins da Paraíba
Onde o povo é sempre irmão.

FRANCISCO DINIZ
Fones: 83 8862-8587 (Oi) / 83 9927-1412 (Tim)
Atuação profissional:
* Professor de Educação Física da Escola Municipal São Marcus, em Várzea Nova, Santa Rita-PB.
* Cordelista

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