Literatura de Cordel
Autor: Francisco Diniz
João Pessoa-PB, 27 de março de 2012.



No Nordeste o cordel
Já é mais que centenário
E desde os seus primórdios
Tem retratado o hilário,
O drama de uma história,
A notícia, a memória
Em qualquer dia ou horário.

Tal como um apiário
Dá o mel que adoça a vida,
Mas a abelha, o poeta,
Como parte da sua lida,
Desfere o seu ferrão
Em versos, na oração
E em rima bem definida.

Pede-se a acolhida,
As bençãos, a proteção
Da musa da poesia
Pra escrever a emoção,
Folheto rumo ao perfeito,
Quase sempre é desse jeito
Em nome da tradição.

Pois assim, peço atenção
Nesta hora, neste dia,
Para homenagear,
Com repleta alegria,
Uma querida senhora,
Que desde o raiar da aurora
É amante da poesia!

Sempre vive em sintonia,
Teresinha de Jesus
Carvalho Pessoa
, certa
Que na vida existe cruz,
Mas pra vencer empecilho
E pra suscitar o brilho
Fez do amor sua luz...
-1-

Ao imitar Cristo Jesus
E Francisco de Assis,
Buscando agir de forma
Tal como cada um quis,
Sabendo do desafio
Sempre mostrou o seu brio,
Toda família assim diz.

Igualmente a concriz
Que cuida do ninho e canta,
Teresinha em toda a vida,
A poesia decanta,
O gosto veio desde cedo,
No sapoti, arvoredo
E até hoje ela encanta.

Tal cantiga que acalanta,
Quando menina ouvia
Declamações do seu pai
E aos poucos ela aprendia
Sob o pé de sapoti
Com amigos do pai que ali
Sua vida preenchia...

De sonhos, de poesia,
Era assim onde morava
Vez em quando os amigos
Do pai a presenteava
Com livros que escolhiam
E até versos que escreviam,
E ela os colecionava.

A vida assim passava
Ao lado do pai amado,
O senhor Gregório Pires
De Carvalho
, que casado
Com sua mãe Sofia Martins,
Se havia tempos ruins,
Muito pouco era lembrado.
-2-

O que sempre foi guardado
E que nunca se desfez
Foi a vida com os irmãos:
Norma, Edith, Juarez,
Com Pedro, Cleusa, Marília,
José Luiz, Janotília,
Augusta
e toda vez...

Lembra sim, com nitidez,
De Chaguinha, como agora,
De Luiz, Maria José,
De quem logo foi embora:
Os natimortos Augusto
E Pedrina, que injusto,
Em seu Piauí de outrora.

Antes dela vir embora
De São João do Piauí,
Onde lá então nascera,
Quero registrar aqui,
Muita coisa aconteceu,
Grandes emoções viveu,
É fácil de pressentir.

O seu vital existir
Começou num belo dia
De 27 de março,
Trazendo a alegria,
1929,
Que esta data se renove,
Traga paz e harmonia.

Infância feliz vivia
E sempre se dedicou
À escola desde cedo,
Em Floriano estudou,
Tudo o que aprendeu
Do vivido, do que leu,
A tantos ela ensinou.
-3-

Em toda a vida adorou
O ato de lecionar,
Sabia da importância
Do saber e partilhar
O exemplo, o conhecimento,
Para num dado momento
O plantio contemplar.

O escolhido pra casar
Fora Francisco Pessoa,
E a este matrimônio
Com muito amor se doa.
14 filhos tivera
E o que destes quisera:
É que fosse gente boa!

Que nunca ficasse à toa,
Humilde, mas gente honesta
Que se aponta o dedo
E se diz que sempre presta
Atenção a quem precisa
E demonstra ojeriza
A quem se faz desonesta.

Mas nem sempre foi de festa
A vida dessa família,
Devido às dificuldades
Mudara-se para Brasília,
Como todo nordestino
Buscara outro destino,
Seguiu-se uma nova trilha.

E morando em Brasília
A família foi formada,
Uns filhos nascera ali
Outra parte foi gerada
Em Teresina, Piauí,
A relação segue aqui
Para sempre ser lembrada:
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Isabel, noutra jornada,
Letícia Sofia também;
Aqui: Mirna, Gleide, Paulo,
Joana, Átila, Carlos
e vêm
Teresa, Messias, José,
Último
, que caçula é,
Francisco, Carmélia e em...

Brasília ela inicia
A vida em 63,
Trabalhou de professora,
Após concurso que fez
Na benquista Fundação
Educacional
, ação,
Que a deixou feliz de vez.

Ela seguia as leis
Que geram a harmonia
Entre mãe, filhos e pai,
Reluzindo a alegria:
Diálogo, atenção, respeito
E o amor dentro do peito,
Toda hora, todo dia.

Com tamanha alegria
Sempre gostou de estudar,
De escrever e de ler,
Bem como memorizar
Poemas dos mais diversos
E até hoje muitos versos
Faz questão de declamar...

Aos amigos que encontrar,
Aos filhos, a todo alguém
Que tem sensibilidade
E aprecia também
Água de límpida fonte,
A esperança no horizonte,
O ensino que entretém.
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E a lembrança sempre vem
Do seu pai telegrafista,
Que despertou-lhe interesse
Pela alma de artista;
Da sua mãe religiosa,
Bem meiga, laboriosa
E da igreja ativista.

Sua vida é uma conquista,
Que gosta de agradecer
Declamando poesias
Como as que vou descrever:
Vida, de Carmen Cinira
E a belíssima lira
De imensurável poder...

Que só entende quem ler
Versos Íntimos de Augusto
Dos Anjos, da Paraíba;
Ou do poeta astuto
Padre Antônio Thomaz,
De A Meretriz e outras mais,
Poemas que são arbustos,

Que até hoje causam susto:
Contraste e O Palhaço;
De Olegário Mariano
Citações sem embaraço:
Duas Sombras, Único Amor;
João Ferry retrata a dor,
Que até causa cansaço...

Ao compor com certos traços
O seu Pássaro Ferido;
A Virgínia Virturini
Dá as Lágrimas sentido.
Os Caminhos de Pessanha
Traz alegria tamanha
E um prazer desmedido.
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Outros dos seus preferidos
Virão numa outra setilha,
Numa moderna parcela,
Cada poeta é uma ilha,
E a poesia é água
Que lavará qualquer mágoa
De quem segue a sua trilha:

Castro Alves, brilha,
Cora Coralina,
Olavo Bilac,
Só tem gente fina,
Manuel Bandeira,
Que quer ou não queira
Muito nos ensina.

É como uma mina
Fernando Pessoa
E Gonçalves Dias
Não fica à toa,
Cecília Meireles
Tem verso na pele
Que longe ecoa.

É mais do que loa
Gregório de Matos;
Machado de Assis
De diversos atos;
Raimundo Correia,
O verso é a teia,
Dispensa aparato.

Fechando este ato,
De linha por linha,
Clarice Lispector
E o poetinha
Vinícius bem cantam
E que mais encantam
Dona Teresinha.
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Da família hoje é rainha,
Inda é trabalhadora,
Assertiva, educada,
É sempre acolhedora,
Vaidosa, inteligente,
Felicita sua gente
Como uma grande tutora.

É o melhor da lavoura,
Que dá farta refeição,
Teresinha de Jesus
É poesia, é canção,
É tal perfume Promessa
Que sintetiza, expressa
O odor de predileção...

Sabor de arroz com feijão,
De Maria-isabel,
De cuscuz e de beiju
Ou da doçura do mel
De abelha ou de engenho,
Este é um pouco do desenho,
Desta senhora troféu!

    Tiro sim o meu chapéu
  E quero aqui lembrar
Rico acróstico seu,
  Eterno confidenciar,
    Simplicidade, ternura,
Indiscutível maná,
       Negação de toda a dor,
              Hino que contempla o amor,
        A esperança e o sonhar.

          Desejo que a providência
      Envie os anjos poetas
    Jubilosos, inspirados
     E dê a você completa
        Saúde em todos os dias
   Uma vida de alegria,
          Sossego enquanto meta!
-8-
Fim
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    Francisco Diniz, 27 de março de 2012, 10:00h.

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