Apresentação     Baião de Dois     Modernização     O Conselho     Mundo Natural     Democracia


Breves Reflexões

APRESENTAÇÃO
Despertar uma visão mais humanitária, favorável
à preservação da natureza e à conquista dos
direitos do cidadão através de mobilizações,
é o fundamento destas BREVES REFLEXÕES.

Pretende o autor prestigiar caminhos capazes
de nos conduzir ao encontro de tais objetivos.
É um trabalho para ampliar nossas consciências.
Nenen Diniz,
Santa Helena-PB, janeiro de 1996.
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BAIÃO DE DOIS

Eu fico roxo de raiva
Com esse BAIÃO DE DOIS.
Todo dia no almoço,
Só como feijão com arroz .
Invoco Nossa Senhora
E quero tempero agora,
Não vou deixar pra depois.

E quando a noite cai
Dá vontade de cair,
Eu fico desanimado,
Já sei que vou repetir,
Feijão e arroz me esperam
Pra jantar, rezar, dormir.

E quando o dia amanhece
Minha mãe está na cozinha.
Eu saio todo assanhado
Da pequena camarinha:
- Mãe o que é a merenda?
Ela diz com muita pena:
Tem de ontem uma coisinha.

- Uma coisinha de quê?
Ela diz sem emoção:
- Tu já sabes Valentim
Que é arroz com feijão,
Pois ninguém quer fazer nada
Pra mudar esse baião.

E eu vou comer chorando:
- Isso é uma tentação!
Já estou com trinta anos
Só como arroz com feijão.
Não sei o que diabo é carne,
Nem verdura e nem pão.

Lágrimas, sonhos, sorrisos,
Temos sempre eu e você.
É difícil a caminhada
Nessa arte de viver.
Desde os atos mais medonhos
Menor do que nossos sonhos
Sei que não podemos ser.

Minha vida, tua vida,
Essas vidas de nós dois,
Não podem se resumidas
Num simples feijão com arroz.
Eu boto o grito pra fora
E exijo tempero agora,
Não vou deixar pra depois...

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MODERNIZAÇÃO

Não sei o que é moderno
Se o homem não tem mais paz
E a terra é maltratada,
Cada dia mais e mais...
Onde está a água limpa
Que precisam os animais?

As florestas, os matagais
Que eram virgens outrora,
Os rios descendo limpos
Cristalinos pela flora,
Espelhos, reflexos vivos
De quem passava por fora.

Mas como o rio se vai,
A limpeza foi também.
O homem estragou tudo
Jamais pensou no que vem
E na pureza natural
Que a natureza tem.

Vário rios e o mar
Estão muito poluídos.
Água suja, lixo químico
E da indústria, os resíduos
Vão deixando fortemente
O ambiente agredido.

O planeta maltratado
É de se fazer careta.
A mata verde e escura
A queimada a deixa preta,
Repensem estas ações,
Não maltratem o meu planeta.

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O CONSELHO

Temos mil dificuldades
Nesse nosso dia-a-dia
E se conselho fosse bom
Não se daria, se vendia,
Coisa que os capitalistas
Dizem ser sabedoria.

Um dia numa conversa
Disse-me um agricultor:
- Essa tá de liberdade,
Fraternidade e amor
São coisas que o nosso povo
Ainda não conquistou.

Eu que vivo do cultivo
De milho, arroz e feijão.
Pago a meia bem certinho
Não deixo faltar um grão,
Ainda devo mil favor
Ao danado do patrão.

Eu disse ao cidadão
Que só há uma saída,
A que todo mundo sabe
Porque é bem conhecida:
Ou você manda em si próprio
Ou mandam em sua vida.

É a pobreza aumentando
Numa proporção veloz.
Quando ficamos calados
Alguém decide por nós.
É por isso que eu digo:
Temos que ter vez e voz.

Não há razão para andar
Nesse caminho estreito.
Só a luta consciente
Com coragem e com respeito,
Faz valer nosso trabalho
E conquistar nosso direito.

Não podemos ficar presos
Só as nossas emoções.
Precisamos nos unir
Formando associações,
Reivindicando os direitos
Junto aos nossos patrões.

Quem disse que somos simples,
Preguiçosos, vagabundos?
Se vivemos trabalhando,
Cavando poços profundos,
Fazendo edifícios altos
E movimentando o mundo!?

O agricultor me falou:
- Tu merecia uma briga.
Pruquê palavra bunita
Nunca qui incheu barriga.
Mais, gostei desse discurso
E te peço que prossiga...

- Sou apenas um poeta
Todo dia a inventar verso.
Há coisas que muito amo,
Outras tantas que detesto.
Importante não sou eu
E sim o que manifesto.

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MUNDO NATURAL

Meu Deus, como é bonito
Esse mundo natural!
As árvores cheias de vida
Balançando sem igual.
Mas, eu quero é falar mesmo
Desse mundo animal.

Cachorro não pega peba
Que se esconde no buraco.
Preguiça, vai devagar
Pois vexame é um saco.
Muito besta é o besouro
Que não tem medo de sapo.

Papa-lagarta já sabe
O poder que o canto tem.
Quanto mais canta, mais come:
Come uma, come cem.
Seu canto é poderoso!
Cantando, as lagartas vêm.

A abelha sofre tanto
Quando encontra o bem-te-vi.
Rato, quando avista gato
Só pensa logo em fugir.
Bode, quando avista onça,
Corre, corre até cair.

Vaca protege o bezerro
Do malvado carcará.
Raposa no galinheiro
Bota galo pra pular.
O cachorro é intrigado
Com peba, gato e preá.

Mas quem vive a peneirar
É o forte gavião.
Quando ele que merendar
Faz a maior confusão
E trata de agarrar
O pula toco, cancão.

Quantas coisa nessa terra
E eu a contemplar mudo.
Benfeitorias do homem,
Besteiras e absurdos.
Deus é a palavra final,
Ele é o Senhor de tudo.

A terra é cheia de vales,
De montanhas, de buracos,
Onde a lei do mais forte
Quer se impor a do mais fraco.
Mas, eu não quero intriga,
Quero que a terra viva
Com amor e sem maus-tratos.

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DEMOCRACIA

Caros amigos leitores
Eu vivo desconfiado.
Porque eu li no jornal
Que o Brasil está mudado.
Chegou a democracia
Ninguém é discriminado.

Fiquei só pensando nisso...
De olhos arregalados,
Pois vejo tanta injustiça,
Um povo tão maltratado!
Se isso é democracia
Eu vivo muito enganado.

Sei que a democracia
É coisa de igualdade,
É gente vivendo bem
No campo e na cidade
Sem distincão de cor,
De sexo, raça ou idade.

Chamei a minha mulher
E perguntei a Maria:
- Já estou com trinta anos
Que trabalho todo dia
Falta dinheiro no bolso
E mesa farta no almoço.
Isso é demoracia?

O trabalhador da roça
Vive sem ter alegria.
Brocando, arrancando toco,
Trabalhando dia-a-dia
Colhe o milho e o feijão
Dar a metade ao patrão,
Isso é democracia?

O pobre do professor
Com tanta sabedoria ...
Correu, sofreu, estudou,
Se formou com alegria.
Nem viaja em suas férias,
Seu salário é de miséria.
Isso é democracia?

Se o pobre adoecer,
Ele entra numa fria.
Sofre, sofre "bate as botas",
Vai pra outra freguesia.
Morre e não é atendido
Porque não é do partido.
Isso é democracia?

Os políticos do Brasil
São tiranos em maioria,
Gastam o dinheiro do povo
Com bebida e com folia
Ficam rindo lá de cima
Com o povo morrendo à míngua.
Isso é democracia?

Depois de muitas perguntas
Maria me respondeu:
- Zé, tu leu jornal demais
E depois enlouqueceu.
Democracia é um bicho
De amor e de capricho,
Nunca aqui apareceu.

Fome, miséria, descaso,
Sofrimento e opressão.
Roubalheira, injustiça,
Desleixo, perseguição,
Confusão e carestia
É do diabo a grande cria,
Mas, democracia não.
Fim
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