Recado à Mãe Pátria

Literatura de Cordel

Autor: Wilian Lucas Rogério
Participação especial dos alunos do 3º ano "A" da Escola E. E. E. F. M. Monsenhor Manuel C. de Morais, Umari-CE.
Professor Orientador: Valentim Martins Quaresma Neto.
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Quando eu quero falar
Não poupo nem Presidente,
Pode ser pra minha mãe
Meu recado é contundente
Para o bem ou para o mal
O meu verso segue em frente.

Nesse pequeno cordel
Quero mandar um recado
À mãe pátria brasileira
Para não ficar calado,
Já calei 500 anos,
Agora estou arretado...


Se eu passar do limite ,
Cometer algum engano
São coisas de quem calou
Durante 500 anos .
Resolvi falar, então
O que está me engasgando.

Agora perdi o medo
De falar toda a verdade,
Pois "só quem sabe é quem sente"
Quem não sente, nada sabe.
Estamos sendo excluídos
Vivendo pela metade.

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Que tipo de mãe é essa?
Que deixa os filhos com fome
Poucos possuindo tudo,
Muitos vivendo sem nome
E a comida do pobre
O rico rouba e come.

Que tipo de mãe é essa?
Que deixa o filho infeliz
Sem salário, sem direito
Sem nada nesse país.
Só falta organização
Para a gente ser feliz.

Pátria cheia de encantos,
De belezas naturais,
De praias, de futebol,
De riquezas sem iguais,
De sonhos, de fantasias,
De projetos tão banais!

Nossa pátria vale mil,
Mas é a terra do sem:
Sem-Lei, Sem-Teto, Sem-Terra
E Sem-Emprego também,
Sem-Direito, Sem-Coragem
Sem-Salário, Sem-Vintém.

            - 2 -

É uma grande exclusão
O que está acontecendo
Com a gente dessa terra,
Quem tem olhos está vendo
A mãe enricando poucos
E a grande massa sofrendo

O erro vem lá de cima
Dos que dirigem a nação
Desviando o dinheiro
Da nossa educação
Causando fome e miséria
Devido a corrupção.

Tudo em nome da lei
Do avanço e do progresso
Desvio de verbas públicas
Num crime bárbaro, perverso.
E o povo pagando a conta
Do Senado e do Congresso.

A justiça sem moral
E sendo investigada
Por extorsões e chantagens,
Atitude descarada
De quem está sendo pago
E não está fazendo nada.

            - 3 -

Todo dia aumentando
As diferenças sociais,
Rico cada vez mais rico
E o pobre andando pra trás,
O crime correndo solto
E o povo sem ter paz.

O futuro está traçado
A continuar assim
Se as coisas não mudarem,
Se a gente não pôr um fim
Aos privilégios de poucos
Tudo vai ficar ruim.

Nossa mãe é muito rica,
Isto digo com certeza
Falta administração
Nessa mega fortaleza,
Pois, muitos vivem às margens
Dessa imensa riqueza.

Não sei o que acontece,
Mas, sei que tem algo errado,
Pois o couro está cantando
E o povo está calado.
Será que acostumou
A ser marginalizado?

            - 4 -

Nossos direitos existem,
Mas somente no papel
Justiça em nossa pátria,
Somente a de Deus do céu,
Pois poucos comem o doce
E o resto resto prova do fel.

Como será o futuro?
Se ficarmos sempre assim
"Esperando o que não vem"
Numa ilusão sem fim,
A situação é crítica
Pra você e para mim.

Perante a realidade
Só falta mesmo ação
Nós temos a carta magna,
Nossa Constituição
Todos os nossos direitos
Enquanto homem, cidadão.

Para que tudo melhore
É preciso união
De toda a sociedade
Numa mesma direção,
Pois a nós também pertence
O futuro da nação.

            - 5 -

Devemos mesmo lutar,
Somos os prejudicados,
Se a gente não agir
E aguentarmos calados,
Jamais em nosso favor
Projetos serão votados.

Os que estão no poder,
Não fazem nada por nós,
Por isso chegou a hora
De soltarmos nossa voz
E desmascarar os podres
Desse sistema feroz.

Se culpamos os políticos
Pelas falhas do país,
Eles estão no poder
Só porque o povo quis.
Cometem os mesmos erros
Torna a nação infeliz.

O poder está no povo
Digo e não peço segredo,
Devemos criar coragem
Temos que perder o medo,
Varrer a corrupção
O quanto antes, mais cedo.

            - 6 -

A nossa mãe nos despreza
Nos deixando sem salário
Transformando em marginal
Quem antes era operário
Sem direito e sem emprego,
Sentindo-se solitário.

E isso não está certo
Merecemos muito mais:
Casa, comida, trabalho
Segurança e muita paz,
Para podermos dizer:
- Nossa pátria é demais!

Quando um dia aparecer
A melhora desejada,
Eu vou poder escrever
Estrofes mais animadas
E estas desse cordel,
Já vão ser páginas viradas.

Espero que tudo isso
Não tarde a acontecer,
Estou contando os segundos,
Estou pagando pra ver.
Pois, já não aguento mais
Suportar tanto sofrer.

            - 7 -

Já foram 500 anos
Que passaram como o vento.
Poucos são os satisfeitos
Muitos são os lamentos
Dos filhos desamparados
Num grande mar de tormentos,

Mas, apesar dos pesares
Vou-te parabenizar
Pelos seus 500 anos,
Pois tu és o nosso lar
E deixo aqui a promessa:
Vamos tentar te arrumar.

Palavra de nordestino
Saída do coração.
O povo tem o poder
De erguer a construção
Está faltando coragem
Pra melhorar a nação.

- 8 -

FIM
Autor: Wilian Lucas Rogério
Participação especial dos alunos do 3º ano "A" da Escola E. E. E. F. M. Monsenhor Manuel C. de Morais, Umari-CE.
Professor Orientador: Valentim Martins Quaresma Neto

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