Ronaldinho, o fenômeno jogando errado, cordel de Valentim Quaresma.
Literatura de Cordel
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Ronaldinho,
o fenômeno jogando errado


Arte da capa: Leontino Quirino
Literatura de Cordel

Autor:

Valentim Quaresma
Santa Helena-PB, 28/06/2008

Capa: Leontino Quirino
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Eu vi um homem chorando
Assistindo o futebol
Foi no dia que Romário
Fez um gol, dando um lençol...
E um elástico em Amaral,
E um velho passou mal
Não viu mais a luz do sol...

Já vi um bêbado jantando
Gritando de boca cheia,
Isso já à meia noite
E o jogo foi quatro e meia
Dizendo: - goooool do Brasil,
Até minha irmã riu
Disse: - pai que coisa feia!

Já vi gente declarar
Que já esteve no céu,
Foi na hora de dois pênaltis
Que defendeu Tafarel
Vendo o berro de Galvão
E que chorou com emoção
Com Dunga erguendo o troféu.
1

Num jogo de futebol
Junta gente de carrada,
Tem barulho em tom de caixa,
Torcida emocionada
Gritando o nome de alguém
Que muitas vezes não tem
Caráter, não vale nada.

Por isso quero falar
O que a mídia já falou
É do dia que Ronaldo
Porque quis se enganou.
E promoveu a muvuca
Que começou na Tijuca
E ainda não terminou...

Um homem que namorou
Com tanta mulher bonita
Tem lá também seus caprichos,
Suas idéias esquisitas
Essa vida é engraçada
Pensei que ele era espada
A gente sempre acredita.
2

Já tivemos o Galinho,
O Dinamite, o Doutor,
O Animal, o Baixinho,
O Rei, o Imperador
E o Fenômeno traveco
Um pateta, um marreco
Metido a embaixador.

Sei que tudo começou
Numa tarde ensolarada.
Ronaldo estava triste
Brigou com a namorada...
E foi dar uma saída
Disse: - vou gozar a vida
Nem que seja na baixada.

Entrou em quatro botecos
E bebeu oito bicadas,
Fumou 16 cigarros
E deu mais umas tragadas,
Acelerou o carrão
Rodando na contra mão
Sem respeitar quase nada...
3

Juntou quatro travestis
E partiu para o motel
Com as duas mãos na cintura
Dançando a dança do créu
E falando no ouvido:
- Já estou muito envolvido,
Vai ter troca de anel...

Na sua embriaguês
Nem percebeu o Mané
Que estava mais Juarez,
Dezarote e André,
Tudo macho igual a ele
Pegando nas coisas dele ,
Não havia uma mulher.

E naquele funaré
Um na frente e outro atrás
O panaca percebeu:
- Aqui tem bola demais
E outro fenômeno cresceu
- Eu sei que não é o meu,
Agora não quero mais...
4

Com o fundo na parede
Começou a se retirar
Foi aí que a Andréia
Disse: - pare alto lá!
Veja o teu precipício
Depois desse rebuliço
Tu vai sair sem pagar?

- Eu dou mil a cada um
E ninguém sabe, ninguém viu.
- Tu não tá mais na Europa,
Você tá é no Brasil.
Dinheiro tu tem demais
Me pague logo rapaz,
Eu quero 50 mil.

Ronaldo disse: - Eu não pago.
André disse: - Eu sabia!
Deu um murro no espelho,
Chutou e arrancou a pia...
Por toda essa zoada
A polícia foi chamada,
Foram pra delegacia.
5

Na 16ª DP
O delegado Zé Pinto
Colheu os depoimentos,
Botou ordem no recinto,
Fez a documentação
Junto com o escrivão,
Tudo é verdade, eu não minto.

E perguntou a Ronaldo:
- O que foi que aconteceu?
O jogador meio grogue
Prontamente respondeu...
- Eles querem me roubar
E eu não quero entregar,
O culpado não sou eu...

Eu só queria sair
E comer coisas diferentes,
Brincar naqueles lugares,
Fumar, beber aguardente.
Assim Ronaldo falou,
O delegado anotou
E entrou o outro cliente.
6

Andréia disse: - Seu Pinto,
Eu estava na calçada,
Foi ele quem me chamou,
Não tenho culpa de nada
Veja o que ele me apronta
Não quis me pagar a conta
Por isso eu estou zangada.

Mas já estou indo embora,
Agora sei aonde vou:
Na Hebe, na Luciana,
No Pânico amanhã estou,
Fantástico é meu esquema,
Logo vou para o cinema
Fazer um filme pornô.

O delegado falou:
- O caso está encerrado,
Não encontrei inocente
E muito menos culpados
E falou enfurecido:
- Vocês foram absolvidos,
Magotes de condenados...
7

Certos ídolos minha gente
Não merecem o nosso esforço
De torcer, pular, gritar,
Eles nos dão é desgosto
Ganham dinheiro à vontade,
Praticam muitas maldades
De medalhas no pescoço...

Convido aos torcedores
A erguer outras bandeiras,
Fazer outros movimentos,
Torcer de outras maneiras,
Lutar pelo bem comum
Chorar de jeito nenhum
Por gente que faz besteiras...

A consciência política
É que move o cidadão
Para fazer a justiça
E libertar a nação,
Toda casta brasileira
Deve ter essa bandeira
Empunhada em sua mão.
FIM
8

Valentim Quaresma
Santa Helena-PB, 28/06/2008
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