Venda o seu voto e seja mais um ladrão!
Venda o seu voto e seja mais um ladrão!
Literatura de Cordel
Autor: Francisco Diniz

Amigo(a) caro(a) eleitor(a)
Pedimos sua atenção
Para tratarmos em versos
De cordel, uma tradição
Nordestina, sobre o que
Pode haver na eleição.

Em toda essa nação
Disputas vão ocorrer.
Homens e mulheres buscam
O espaço do poder
Para administrarem
Nosso modo de viver.

Por isso é bom saber
O passado dos candidatos,
Posto que muitos, por certo
Se elegerão de fato,
Mas quem não tem ficha limpa
Não deve ter um mandato.

E quem concede o mandato
É o povo, é cada um
De nós que lá na cabina,
Sem ser visto por nenhum
Corrupto ou quem quer que seja,
Tem um poder incomum.
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Pois o cidadão comum
Nessa hora é igual
Ao médico, ao fazendeiro,
Ao rico industrial,
Lá na urna o mais simples
Torna-se o maioral.

E de forma magistral
Pode atitude tomar
Fazendo uma boa escolha
Depois de analisar
As propostas e o passado
Daquele em quem vai votar.

Não vamos nos enganar,
Se não vai sobrar pra gente.
O voto é coisa séria
E tem que ser consciente.
Pra colhermos um futuro,
Plantemos melhor presente:

Vamos ser bem coerentes
E tratemos de fugir
Daquele “bom candidato”
Que passa o tempo a mentir
Prometendo mundo e fundo
Somente para iludir.
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Se o candidato insistir
Com a conversa fiada:
“Vim pedir a sua ajuda
Nessa minha caminhada,
Se você votar em mim
Aqui não lhe falta nada...

Pra sua vista cansada
Eu dou óculos e também,
Eu dou botijão de gás,
Chapa de dente e além
Material de construção,
Pode me pedir que vem.

Eu não nego a ninguém
Mas vou logo avisar:
O óculos vai sem a lente
E a chapa vou entregar
A de baixo, e só depois
A de cima, se eu ganhar.

Com seu título vou ficar
E só entrego no dia
Que chegar a eleição,
Ele é minha companhia,
Aliás, é a certeza
Dos votos que eu queria”.
3

Meus amigos, todo dia
É preciso atenção
Pra não cairmos em golpes
Desses tipos na eleição,
Se não nós elegeremos
O mal da corrupção.

Tenhamos educação,
A responsabilidade
Para escolhermos direito
Gente de idoneidade
Para cuidar dos destinos
Do nosso campo ou cidade.

Não aja com ingenuidade
E nem banque o esperto
Achando que vender voto
É comum e que é certo,
Pois quem age assim com o tempo
Vai se sentir no deserto...

Visto que o político esperto,
Ou melhor, esse ladrão,
Depois que passa o período
Destinado à eleição,
Desconhece o eleitor
E ninguém o vê mais não!
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Não venda seu voto, irmão!
Não alimente o tormento,
Pense bem, não se engane
Com quem doa alimento,
Dinheiro ou qualquer coisa,
Pois isso é fingimento!

Analise o argumento
Que defendemos aqui
De uma administração
Que entenda o servir,
Não como paternalismo,
Mas como um investir...

No presente e no porvir
Em saúde, educação,
Em saneamento básico,
Em mudar a condição
Daqueles que mais precisam
Pra evitar a exclusão

Não esquecendo a ação
Em prol dos agricultores,
Investindo em projetos
Pra esses trabalhadores,
Bem como a todos os outros,
Tidos como sofredores.
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Por isso nossos gestores
Que temos de eleger,
Devem ter ampla visão
E ao longo do seu viver
Demonstraram o respeito
Por quem mais vive a sofrer.

E para dar o poder,
O povo deve cobrar
Que o candidato assuma
Compromisso em mostrar
As contas da sua gestão
Para todo mundo olhar.

Pra isso basta botar
Os gastos da prefeitura
Ou da Câmara na internet
Para criar a cultura
De que deve o político
Ser nobre, de envergadura

E que entende a estrutura
Do poder um cabedal,
Mas não como um meio para
Roubar e fazer o mal
Aos cidadãos comuns
Da zona urbana ou rural.
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Todo o poder estatal
Deve ser gerenciado
Por gente honesta, simples
E que trate com cuidado
O povo que tem carência
E tem sido maltratado.

O povo quando é amado
É tratado com respeito,
É ouvido, é atendido,
Por educado prefeito
Que trata rico e pobre
Sempre assim, do mesmo jeito.

Vereador ou prefeito
Deve mostrar qualidade,
Bem como qualquer político,
Para haver prosperidade
Em todo o município
E o fim da desigualdade...

Que não tenha falsidade,
Que cuide da natureza,
Que invista em cultura
Popular, que é uma beleza,
E principalmente que
Lute e tenha a firmeza
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Dia-a-dia pra que a mesa
Do povo trabalhador
Seja mais farta e que
Aonde quer que ele for
Seja visto como agente
Que ao simples dá valor.

Precisamos de gestor,
Que em todos os momentos,
Combata a corrupção
E faça o casamento
Do exemplo com a virtude
E queira melhoramentos...

Desde o policiamento,
Transporte pra estudante;
Na área da agricultura,
No apoio aos feirantes
E a todos trabalhadores
Para seguirmos adiante...

De maneira confiante,
Escolha quem é direito,
No dia da votação
Faça o pacto perfeito:
Vote em quem não compra voto
Que o certo será eleito.
Fim
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Francisco Diniz
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