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Cordel Nossa Negritude




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Celebrar a resistência
De uma população
Que sofre escravização
Pela ação da indecência
Dos ricos e aquiescência
De cínicos religiosos
E mostrar os grandiosos
Poderes de uma gente
Que luta diariamente
Contra inescrupulosos.
1

Este deveria ser
O maior objetivo
Da escola e o motivo
Vital pra se empreender
Educação para haver
Um dia dignidade,
A sonhada igualdade
Ao debater diferenças,
Respeito à crenças, descrenças
E a oportunidade
2

De uma vida onde a história
Não deverá ser negada,
Ao contrário, bem contada,
Onde possa haver vitória
Para todos e a memória
Exposta em livros didáticos
Pelos feitos matemáticos
Desde o Osso de Ishango
À Bimba, o lutador,
Com seus golpes performáticos.
3

Tudo só dependerá
Da boa educação,
Da conscientização,
Da luta a se travar
Para o negro ocupar
Os espaços de poder,
Mas ele não pode ter
Pensamento caricato
Igual Capitão do Mato
Ou um Hélio Lopes ser.
4

É preciso parecer
Dom José Maria Pires
E se a lógica tu cumprires,
Vais a lei obedecer
De Zumbi para crescer
Quilombo em todo canto
E pra estancar o pranto
Que vem desde a escravidão,
Para erguer-se uma nação
Que enalteça o manto
5

Do pensar e do agir
De uma Maria Felipa,
Da voz que se emancipa
Contra todo extorquir
Lá, acolá e aqui:
Marielle ou Dandara,
Zé do Patrocínio para
Todo dia inspirar,
A autoestima elevar,
Qual sol quente no Saara.
6

Mãe Menininha lembrar,
Luiz Gama e Pastinha,
Maria Firmina tinha
Como escritora um pensar
Contra se escravizar,
Djamila Ribeiro é
Uma importante mulher
Na luta pelos direitos
Civis e contra preceitos
De exploração quaisquer.
7

Machado de Assis rebela
Abdias Nascimento,
Dragão do Mar, monumento,
Resistência, sentinela
Que organiza e revela
O poder do coletivo
E mostra que o imperativo
É viver a união
De tudo quanto é irmão
Contra um poder opressivo.
8

Carolina de Jesus,
Edson Gomes, Milton Santos,
Elza Soares e tantos
Que aqui eu não expus,
Mas que é certo, fazem jus,
À causa da negritude,
Que exige a virtude
E coragem de lutar
Para o mundo transformar
Em toda sua plenitude.
9

Além de observar
O feito de lideranças,
Educar nossas crianças
Para um manifestar
Contra o palavrear
Que atesta o desdém
E que humilha também
Há tempos o povo preto,
Que o põe sempre no gueto
Transformando-o em ninguém,
10

É claro que isso vale
Para adolescente, adulto
E idoso, pois insulto
Que é coberto com xale
Ofende e equivale
A manter violação
Disfarçada em bordão,
Portanto, “vamo” aprender
O que evitar dizer
E mostrar educação
11

Antirracista diária:
A coisa tá preta, não!
Doméstica e boçal, irmão,
É uma dupla precária
E hoje, desnecessária.
Serviço, coisa de preto,
Evite esse dueto,
Cor da pele ou do pecado,
A dar com pau, um bocado,
Atente pr’esse folheto.
12

Nasceu com o pé na cozinha,
Mulata exportação,
Ovelha Negra, negão,
Fazer nas coxas, negrinha,
Lista negra, moreninha,
Cabelo duro, ruim,
De Bombril, não fale assim
Esclarecer, denegrir,
Já errei ao repetir,
Isso não foi bom pra mim.
13

Criado mudo, escravo,
Doméstica, inveja branca,
Com educação se estanca
O racismo muito bravo,
E boçal é desagravo,
Risque da sua agenda:
Volta pra o mar oferenda,
Tem caroço nesse angu,
Encher o bucho pra tu
Entenderes, não é lenda!
14

É racismo estrutural
Inhaca, nega maluca,
Morena é arapuca,
Parece até legal,
É poético, musical,
Mas disfarça preconceito,
O termo não é aceito,
Como tantos, hoje em dia,
Veja na bibliografia
Outros tidos por defeito.
15

Precisamos exaltar
Samba, jongo, capoeira,
Outros símbolos de primeira,
Racismo denunciar,
Lutar pra lei aplicar
Pena à intolerância,
Todo dia dar importância
À umbanda, ao candomblé,
Caruru, acarajé,
Ao axé em abundância.
16

Com Bárbara Carine aprendo,
Conceitos tenho revisto
Com Conceição Evaristo,
À Sueli Carneiro rendo
Homenagens e entendo
Lélia González demais,
Só Ubuntu satisfaz
A melhor educação
E se houver união
Outro mundo a gente faz!
17
FIM




BIBLIOGRAFIA

https://www.sesc-rs.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Cartilha-Palavras-Racistas-1.pdf

https://contrafcut.com.br/data/files/13/47/C6/6A/D1A3191074559319820808A8/expressoes-racistas-por-que-evitalas.pdf

https://oppep.ifrn.edu.br/media/Gloss_rio_de_palavras_racistas_e_suas_substitui_es_1671272515.pdf


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