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Um pouco da escravidão em cordel


Um pouco da escravidão em cordel

Francisco Diniz, 14 de setembro de 2025.

Era uma vez um povo negro
Que na África vivia
Livremente e feliz
Quando logo aí surgia
Um povo rico, europeu
E a maldade instituía.

A África é um Continente
Que atualmente tem
54 países
E a Europa contém
Total 50 nações
Que hoje só vivem bem

Porque no século XV (1444)
Começou a escravizar
O povo negro da África
E isso só foi terminar
Lá no século XIX,
Dá Vergonha de contar.

Vê, o país Mauritânia
Só aboliu a escravidão
No ano 81 (1981),
No Brasil a abolição,
1888
E a escravização...
1

Aqui começou assim:
O Brasil foi invadido,
Ele não foi descoberto,
É bom abrir o ouvido,
O indígena já estava
E fora mui agredido.

Tentaram escravizá-lo,
Só que isso deu errado,
Ele resistiu, lutou,
Preferiu ser mitigado
A trocar a liberdade
Por um viver explorado.

Os ricos comerciantes
E o rei de Portugal,
Que fez do Brasil Colônia,
Praticaram um outro mal,
Ou seja, escravizar
Gente de outro arraial.

Eles mandavam navios
Para a África com o fim
De trazer o povo negro
Ao Brasil, só que assim
Como escravo, atenção,
Veja que coisa ruim.
2

Era o ser capturado
E jogado no porão,
Ele e sua família
Sofriam a humilhação
A dor e a crueldade
De quem se disse cristão.

Era no Navio Negreiro,
O navio assim chamado
Por transportar o povo negro
Sem o mínimo cuidado,
Por até 2 meses vinha
No porão acorrentado

Comendo comida ruim,
Fazendo as necessidades
Ali mesmo, sem banheiro,
Sofrendo outras ruindades
Como o grito e violência
Não importando as idades.

Mais ou menos a metade
Dos que estavam a viajar
Morriam infectados,
Eram jogados ao mar
Atraindo tubarões
Para se alimentar.
3

Cada navio levava
De 400 a mil
Pessoas negras da África
Pra viverem no Brasil
Como escravos, acredite,
Isso aqui já existiu.

Morria gente de banzo,
Um tipo de depressão,
Uma tristeza profunda,
Onde o negro, sem ação,
Chorava dias e noites
Nos cantos da embarcação.

Quem conseguia chegar
Vivo ao seu destino,
Separavam a família,
Adulto, idoso, menino,
Aí era então, vendido
Pra fazenda de um cretino

Trabalhar com algodão,
Com a lavoura de café,
De feijão, cana-de-açúcar,
Ou o que fosse e até
Nas minas de Diamante,
Ouro ou de outras quaisquer.
4

Trabalhava o dia inteiro
Aguentando chicotada
Do feitor e quando é noite
Toda pessoa é levada
Pra dormir numa senzala,
Que é u'a palhoça cercada

Por um bocado de varas.
A dormida era no chão,
O alimento que comia
Era o resto do patrão,
- Quer dizer, dono do escravo -
Que não servia mais não!

Mesmo com esse sofrimento
O negro inda dançava,
Fazia suas orações,
Para seus Deuses cantava,
Queria um outro mundo,
Com a liberdade sonhava,

Por isso que ele inventou
Uma arma, a Capoeira,
E fugia aos quilombos
Com a ideia certeira:
Só tem a dignidade
Quem é livre a vida inteira.

Houve centenas, centenas
De quilombos no Brasil,
Em Santa Rita houve um,
Cumbe aqui existiu,
Quando pode o Negro Escravo
À maldade reagiu.
5

O Quilombo dos Palmares
Em Alagoas ficava,
Lá na Serra da Barriga,
Mais ou menos abrigava
Entre 20 e 30 mil,
Disposição não faltava,

Pois como noutros lugares
Vez em quando o negro ia
Em expedição salvar
Quem como escravo vivia,
Tocava fogo em fazenda
E pro quilombo fugia.

A história da negritude
É de luta, sangue e dor,
É feita de resistência,
Precisamos dar valor,
Desfazer o preconceito
Para enfim falar de amor,

Lutar por educação,
Que seja antirracista,
Aprender o Letramento
Racial e altruísta,
Ocupar cargo e poder,
Escantear o fascista.

Celebrar o rei Zumbi
Dos Palmares todo dia
Pelo exemplo de luta,
Resistência, valentia
Contra toda opressão,
Por vida com poesia.
6

Francisco Diniz, Santa Rita-PB, 14.09.2025.
@franciscodinizcordel


LINKS ÚTEIS:

As mulheres quilombolas na Paraíba: terra, trabalho e território / Karoline dos Santos Monteiro. João Pessoa, 2013. Sobre o Quilombo do Cumbe, em Santa Rita-PB, vide as páginas 66, 67, 68 e 83.

Sobre o filme Cumbe

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