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Emilson Ribeiro


Capa e texto de apoio: Tony Miranda


José Emilson Ribeiro,
Ativista da cultura,
Um sonhador contumaz
Em prol da desenvoltura,
Do fazer que é popular
Com o poder de educar
E se transformar em cura.

Voz contra a ditadura,
Viveu como guerrilheiro
Destemido, pregador
Da liberdade e parceiro
De quem quis democracia
E contra a tirania
De golpista trapaceiro.

Nasceu Emilson Ribeiro
Em 25 de julho
1944,
Um motivo de orgulho
Dos seus pais em Serraria,
De onde ele sairia
Para então dar um mergulho

Do Engenho Belo Horizonte
Pra sair em João Pessoa
Aos 7 anos de idade.
Teve uma infância muito boa,
Ouvindo muitas histórias,
Suas melhores memórias,
Encontrá-las nunca enjoa.
1

Morou numa casa grande
De Alpendre, onde dormiam
Muitos dos trabalhadores,
Que do interior saíram
Para superar revés
Na Barragem de Marés
E com afinco a construíram.

E esses trabalhadores
Toda noite conversavam
Sob à luz de candeeiro,
Por horas ali passavam
Com histórias da Carochinha,
Da Comadre Fulozinha
E outras que eles contavam.

Como a história da Mãe D'água,
As histórias de Trancoso,
As muitas de assombração,
E as de teor jocoso,
Esse foi o despertar
Da cultura popular
De um menino curioso

Que ficava encantado
Com Ivanildo, seu irmão,
Brincando com seu Babau
Em dia de exibição,
Aluno de Mestre Eusébio,
Arte que hoje Mestre Clébio
Luta por manutenção.
2

Emilson fora aluno
De Dona Adélia de França,
Mãe de Cátia, a cantora,
Que encontra a pujança
Das letras, das melodias
E das ricas harmonias
Desde os tempos de criança.

Emilson à Academia
De Comércio foi estudar.
No Estadual Jaguaribe
Segue a se dedicar
E no Róger Estadual
Cria Grêmio e Jornal,
Começa a despontar

Como líder estudantil,
Depois faz o seu ingresso
No Liceu Paraibano
E alcança o sucesso
No ano 68
Como um jovem afoito
Contra todo retrocesso.

Funda o Grupo Trapiche,
Que incentiva a poesia
Através de um concurso,
Uma exposição cria:
Pintura/óleo sobre tela,
Arte barroca revela
Em mostra que anuncia
3

Juntamente com Zé Nilton
- Tempos depois, professor
Da nossa UFPB -,
Ia ao Cristo Redentor,
Assistir ao candomblé
Com alunos ver a fé,
Estudar o seu primor.

Da mesma forma levava
Tais alunos pra entender
A ciranda de João Grande
No oitizeiro e ver
A Barca Santa Maria,
Que sempre acontecia
Logo ao anoitecer

Um pouco atrás da igreja
De São José Carpinteiro,
O Mestre é Cícero Campos
- Que era também carteiro -,
Formou o Mestre Jandaia,
Que no lambe-lambe ensaia
Poses de quem é certeiro.

Mestre Jandaia morou
No Bairro do Baleado,
Próximo ao Oitizeiro,
Lá defendeu um legado,
Mudou pra Torre e em seguida
A Mandacaru e a vida
O fez ser muito amado
4

Em Bayeux, outra cidade,
Onde fica até morrer,
Mas a sua rica Barca
Chegou a desfalecer,
Se há descuido nada dura,
Perde a nossa cultura,
Isso é fácil de entender.

Foi na barca de Jandaia,
Ainda no Oitizeiro,
Que Emilson conheceu
O grão-mestre babauzeiro
Joaquim Guedes da Cunha,
Que vassoura ele compunha
Na barca, um galhofeiro.

João Grande, o cirandeiro,
Morrera precocemente
Vítima do pó de madeira
Que aspirava diariamente
Na sua carpintaria,
Mas em vida a utopia
Estava sempre presente,

Pois em tempo de festejo
Costumava contratar,
Um táxi, carro de praça,
Para lhe acompanhar
Aonde pudesse ir,
Das cirandas em Mari
Passando em Sapé, Pilar...
5

Isso tudo em uma noite
Cantando coco e ciranda
Pra na madruga achar
Lenita, que bem comanda
O Quilombo Gurugi,
Onde a dança aqui
Toda a tristeza abranda

Até a manhã chegar.
Hoje a filha de Lenita,
Ana Lúcia, virou mestra,
Segue essa história bonita
Com o seu povo lá no Conde,
Cuja luta corresponde
A manter o que acredita.

No ano 67
José Nilton e Altimar
Pimentel com o Emilson
Foram à Goiana levar
João Grande e sua ciranda
E fazer a propaganda
De algo peculiar.

Era a Nau Catarineta
Da cidade Cabedelo,
Do Mestre Moacir Caetano,
Onde era fácil vê-lo
Com Mestre Zé Benedito,
E este a manter o rito
De ensinar com apelo
6

O figurão Dom João VI.
O Benedito além
Da barca também dançava
O coco de roda e tem
Mantido o seu legado,
Sua filha Teca tem dado
Prosseguimento a este bem.

Emilson Ribeiro é
Uma voz pela cultura,
Mas ficou 10 anos longe
Devido à Ditadura,
3 anos de guerrilheiro,
7 anos esse guerreiro
Ficou preso na amargura

Lá em Barreto Campelo,
Ilha de Itamaracá,
Presídio de Pernambuco,
Não custa aqui informar
Que fora considerado
O pior pro encarcerado
Se este estava a lutar...

Contra o regime maldito
Militar, de exceção,
E que por 21 anos
Dominou essa nação,
Perseguindo, ofendendo,
Mas há gente defendendo
Àquela abominação,
7

Que matava friamente
E que também torturava
Quem era opositor
E quem, portanto, buscava
Restaurar a democracia,
Liberdade, alegria
Que o regime roubava.

Neste cordel não iremos
Relatar sobre a vida
De Emilson, guerrilheiro,
Que foi um tanto sofrida,
O foco maior é expor
O parceiro e lutador
Da cultura esquecida,

Ou seja, a arte do povo,
A cultura popular,
Que ele, tão bem, defende,
Mas iremos sim, citar,
Passagens mui relevantes,
Embora agoniantes
De escrever ou falar.

Quando veio a Ditadura,
Emilson não aceitou,
Assim como muita gente,
E logo participou
De uma organização
Sonhando a libertação
E a isso se dedicou.
8

Filiou-se ao PCB,
Porém decidiu sair.
Foi para o PCBR
Com o fim de investir
Com tudo na luta armada,
Uma difícil empreitada
Que o fizera fugir

De casa e se juntar
À mais jovens com a ilusão
De libertar o país
Com uma revolução,
Contudo sem o preparo
E condições é bem raro
Dar certo uma insurreição.

E esse grupo de jovens
Foi pra clandestinidade,
Organizou movimentos,
Mesmo com a precariedade,
Pretendia-se arranjar
Recursos para comprar
Armas com a finalidade

De enfrentar a polícia
E as ações conhecidas
Foram os roubos de cálices,
Onde foram abatidas
Igrejas Lourdes e Das Neves,
Mas as alegrias, breves,
Pois foram vis as colhidas.
9

Nada ali era de ouro,
Não dava pra comprar arma.
Outra ação que houve destaque
A burguesia alarma:
O assalto à Souza Cruz
Que a polícia deduz,
Prende o grupo e o desarma.

Na prisão Emilson foi,
Como tantos, torturado.
Numa entrevista em áudio
Ele deixou registrado,
Joana Alves me cedeu
Os arquivos pra que eu
Ficasse bem embasado.

Mas como já disse aqui
Eu não vou me atentar
Ao período da guerrilha,
É triste só imaginar
As torturas na prisão:
Choque, abuso, humilhação,
Coisas ruins de contar.

Choques nos dentes, no pênis,
Cipó no reto fincado,
Murros no crânio, no rosto,
O telefone malvado,
Gozação de "autoridade"
Por pura e simples ruindade
Quando era torturado.
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Usavam o pau de arara,
Choques no dedo do pé,
Ou o sapato de 15,
Uma tortura que é
A maldade sem tamanho
De um regime tacanho
Que ainda explora a fé.

Emilson fora levado
À São Paulo e lá também
Sofreu de intensa tortura
E ele não sabe bem
Como pôde resistir
E vivo dali sair,
Mas hoje como ninguém...

Inda sofre as consequências
Da violência sofrida,
Como as dores pelo corpo
E até noite mal dormida,
Problemas ao defecar,
Dificuldade em lembrar
Muitas passagens da vida.

Embora preso, Emilson,
A sua luta seguiu,
Demonstrando que era vivo
Seu carisma estudantil,
Mas agora organizando
Os presos e ajudando
Greves em todo Brasil.
11

Greves de presidiários
Para chamar a atenção,
Intensas greves de fome,
E tiveram reação
Do sistema, o disparato
De ver cabeça de rato
Temperando o feijão.

Emilson, ali conviveu
Com muita gente leal,
Que apesar das torturas
Mantinha o ideal
De luta por liberdade,
Mas viu indignidade,
Pois delação, afinal,

Sempre houve em movimentos
Coletivos pelo mundo,
E em Itamaracá,
Naquele presídio imundo,
Não fora tão diferente,
Para escapar houve gente
Sendo ao sistema fecundo.

Após sete anos preso
Emilson foi liberado,
Ao sair, um amigo disse
Que ele seria caçado,
Morreria num acidente
De carro, num incidente,
Que ele tivesse cuidado.
12

Por isso ele adotava
Técnicas pra sair, entrar
Em casa e combinava
Com sua mãe o que falar
Com pessoas e como agir
Nas ruas pra confundir
Quem tentasse o alcançar.

Morou uns tempos na granja
Trabalhando no roçado,
Limpando mato e a lavoura
Com um revólver do lado,
Era só preocupação,
U'a rotina de tensão,
Ele vivia assombrado.

E alguns anos depois
Dois antigos companheiros
Foram ao banco e fizeram
Empréstimo de um bom dinheiro,
Seu irmão também fez isso
Com a ideia, o compromisso
De ajudar o financeiro.

Aí, Emilson montou
Um negócio e ao lucrar
Ia pagando os empréstimos.
Vendia prego caibrar,
Sem cabeça, parafuso,
Peça que tivesse uso
Na construção e no lar.
13

29 de dezembro,
Da prisão ele saiu,
O ano, 79,
Já em 80 seguiu
Com o afã de organizar
Logo ajudou a fundar
O PT e ainda agiu

De forma incansavelmente
Pra fundar a Associação
Dos Anistiados Políticos
da Paraíba
, ação
Que visa assegurar
Direitos e conquistar
Devida reparação.

Emilson também foi nome
Presente em nossa história
No Conselho Estadual,
No Comitê da Memória,
Da Verdade e Justiça
Defendendo a premissa:
Liberdade é a glória!

Devido a essa luta
Emilson foi indenizado
Por toda a perseguição,
Por ter sido torturado,
Com o dinheiro que ganhou
Sua casa ajeitou,
Melhorou o seu estado.
14

Ele fora convidado
Por escola, universidade,
Por muita instituição,
Fez palestra à vontade
Sobre os tempos de guerrilha,
E ainda hoje partilha
Sobre essa atividade.

Quando criança ele foi
Dedicado escoteiro,
Aprendeu a enfrentar
Matagal, desfiladeiro,
A honrar certos valores,
A agradecer favores
E a se doar por inteiro.

Coisas que foram bem vistas
Em diferentes momentos,
Como articulador
De variados eventos
Da história estadual,
Da política cultural
E em tantos acolhimentos

Aos Mestres da Cultura
Popular desta cidade,
Mas também de outras paragens,
Com alegria e bondade,
Com o respeito devido,
Sendo voz e sendo ouvido
Dignos de uma entidade.
15

Essa forma de agir
Pôde ser aqui comprovada
Na labuta de uma história
Que merece ser lembrada:
Criação do CPC,
Que divulgou o fazer
De uma gente admirada.

No dia 10 de outubro
Do ano 99
Emilson e Unhandeijara,
Dupla de amigos se move,
E chama Wálter Luís
Pra falar de arte raiz,
Então, o trio promove

A fundação de um Centro
Popular e de Cultura,
CPC fora chamado
E a sua estrutura
Por seis Mestres era formada
E em tudo monitorada
Para dar envergadura

Ao debate e exibição
Da cultura popular
Lá no Bairro dos Novais
E aonde fosse mostrar
Os folguedos, a memória,
A arte e sua história
Para o povo celebrar.
16

Pirralhinho: Boi de Reis;
Já do Cavalo Marinho,
João do Boi era o Mestre;
Da Capoeira, Naldinho;
Da Lapinha, veio Nau;
Joaquim Guedes, do Babau;
Ciranda, Mané Baixinho.

Com os Mestres decidiram,
Depois da reunião,
Que o último sábado do mês
Teria apresentação
Com os grupos culturais
Lá no Bairro dos Novais
Para a população.

De 20 a 0 horas
O povo podia ver
Nossas manifestações
E pra isso acontecer
Emilson ia bancando
E uns amigos ajudando
A esse instante de lazer,

Mas também de educação,
De culturas preservadas,
Onde 2.500
Pessoas foram contadas
Em evento que foi feito
Sem ajuda de prefeito,
Porém também registradas
17

6 mil e até mais de 10
No São João, no Carnaval.
A Polícia Militar
Foi quem contou, afinal,
Eventos sem violência,
Só alegria, decência
Que não fazem nenhum mal,

Ao contrário, só o bem,
Posto que além da arte,
Movimenta a economia
No bairro por toda parte,
Pois em dia de evento
Muitos aumentam o sustento,
CPC era estandarte,

Símbolo de esperança
Para o povo, pro artista,
Que não ganhava dinheiro,
Porém do ponto de vista
Duma visibilidade
Ganhava notoriedade,
Era figura benquista

E isso abria portas
Para contrato futuro
Com Prefeitura, Estado,
Convite além do muro,
Do bairro e da cidade,
Era a oportunidade
De sonhar com algo seguro.
18

Nos eventos, o comércio
Era muito estimulado,
Vendedor de espetinho,
Cerveja, de milho assado,
Laranja, maçã do amor,
Caipiroska e licor
De tudo já inventado.

Pula-pula pra criança,
Tinha até artesanato,
Nas festas do CPC
O bairro ficou, de fato,
Conhecido e atraía
Gente em nome da alegria
E quem era candidato.

De outros bairros e cidades
Vinham se apresentar
Grupos sem nenhum cachê,
Mas por querer preservar
A cultura e a tradição
Das coisas do nosso chão
E a alegria exaltar.

O CPC toda vez
Aos grupos oferecia
Lanche, acomodação
E mês a mês prosseguia
Com essa atividade
Movimentando a cidade,
O evento só crescia.
19

Quando Ricardo Coutinho
Assumiu a prefeitura
No ano 2005,
João Pessoa faz Cultura
Com o exemplo do CPC
E Emilson foi lá ser
Uma importante figura

Na FUNJOPE, O Diretor
Da Cultura Popular.
Lau Siqueira, o poeta,
É parceiro exemplar
E a cidade João Pessoa
Cria muita coisa boa,
Mostra como governar

Respeitando o artista
Popular sem expressão.
Quem não tinha vez e voz,
Foi oferecido chão,
O palco pra se mostrar,
O cachê para ajudar
A seguir com a profissão.

Emilson tinha o cadastro
Feito lá no CPC.
Cerca de 60 grupos
Ele conseguiu fazer,
Na Funjope nada havia
E esse cadastro seria
Usado para se ter
20

Contato com os artistas,
Mas prosseguiu anotando
Os nomes de repentistas,
Cordelistas e juntando
Poetas emboladores,
Sanfoneiros e cantores
E depois os contratando.

Nesse ano 2005
Foi trabalho encontrar,
Pela falta de cadastro,
Para então, contratar
7 trios pé de serra
Para mostrar nessa terra
O forró pro povo olhar,

Digo, o forró autêntico.
Com o trabalho realizado
De descobrir os talentos,
Muito grupo foi chamado
Para apresentação
E dessa forma, então,
Tudo foi catalogado.

Dezenas de forrozeiros
Anotados no caderno,
E é certo que também foram
Registrados em moderno
Computador da Funjope,
O forró dava ibope
Do verão até o inverno.
21

Da mesma forma havia
Respeito às demais artes
Da cultura popular
E todas foram encartes
No São João, Festa das Neves,
Eventos grandes ou breves,
Discursos mais que apartes

Das Lapinhas, Boi de Reis,
Ala Ursa, Capoeira,
Tinha Cavalo Marinho,
Tinha Ciranda praieira,
Coco daqui e dali,
Babau esteve aqui
Com teatro de primeira.

Mazurca e Rabequeiro,
Cordelista, Aboiador,
Quadrilha tradicional,
Dupla de Embolador,
Tribo Indígena, sambista,
Reisado e muito artista
Poeta Declamador.

Por anos Emilson foi
À Festa das Lavadeiras,
De Cabo, em Pernambuco,
Para ver as cantadeiras
E levou muitos brincantes,
E vários representantes
Para ver as brincadeiras
22

E com isso aumentou
Muito o conhecimento
De artistas paraibanos
Para promover o fomento
À arte autenticidade,
Cultura de qualidade
Como acontecimento.

Outro feito importante
De Emilson na gestão:
Juntou 42 grupos
Pra compor uma comissão
E à Brasília foi levar
Para lá participar
De uma grande celebração.

Fora em 2006,
Encontro Internacional,
Mestres de 9 países,
Evento fenomenal,
Gilberto Gil, o gestor,
O Ministro a propor
Tal façanha sem igual.

Paraíba foi destaque
Porque os Mestres começaram
Movimento pela fala
E o encontro criticaram,
Não queriam só ouvir,
Desejavam intervir,
Os cabeças aceitaram.
23

E o Mestre Tadeu Patrício,
Que é da Nau Catarineta,
Fez a apresentação
Numa mensagem porreta
Exigindo que enxergar
A cultura popular
Não é pagar uma gorjeta.

Esse encontro em Brasília
Por anos repercutiu
Nos Mestres da Paraíba
E certamente serviu
Pra autoestima aumentar
E também pra motivar
Quem com sua arte seguiu.

Nos eventos, a Funjope
Costumava contratar
Grandes bandas e Emilson
Sugeriu então chamar
Os artistas populares
Dos sertões até os mares
Para se apresentar

Antes da atração maior,
A tida por principal,
Isso lotava as areias
Era público sem igual
Também à beira do rio,
Calçadão ao meio fio,
Muita gente até o final.
24

Emilson intermediou
Intercâmbio importante
Do CPC e Nandinho,
Mestre que foi adiante
Com a ideia de fundar
*CTP para atuar
Em Bayeux a todo instante.

O CPC inda criou
Uma Associação
Carnavalesca no Bairro
Dos Novais e a gestão
Fora de Vilma, primeiro,
Mulher de Emilson Ribeiro,
E depois essa missão

Ficou para a Lucinha,
Professora Luzimar,
CPC também criou
Um grupo para dançar
Nossa Quadrilha Junina,
Cujo fim só se destina
À tradição preservar.

Seu título, Matapiruma,
Firmino, o coroné,
Quadrilha, cujo o seu nome
Uma homenagem é
Ao levante camponês
E que revolução fez
Com coragem e com fé
25

Lá no Sul de Pernambuco,
Ou seja, Zona da Mata,
E A Quadrilha Fez história
Ao se mostrar sem bravata,
Cardivando de Oliveira
No Parque Henrique Vieira
Bons elogios relata.

Os grupos de capoeira
Não recebiam cachê
Antes de 2005
Na Funjope e acho que
No setor público ou privado
Daqui desse nosso Estado
Ninguém quis oferecer.

Emilson criou história,
Além de cachê pagar,
Criou o Fórum de Capoeira
Pra melhor organizar
A voz do capoeirista,
Tratando-o como artista
E também para ajudar

A ampliar o debate
Contra qualquer violência
Nas rodas, academias,
Pra tratar com excelência
Os Mestres, os praticantes,
Nada foi como era antes,
Disso eu tenho a ciência.
26

O evento de Iemanjá
Ficou pra sempre marcado
15 grupos bem distintos
Com um palco reservado,
Até Mestre da Bahia
Aqui elogio fazia
Vendo tudo organizado.

Outra iniciativa
De Emilson foi criar
Fórum de Todos os Mestres
Da cultura popular
Do Estado da Paraíba,
"Se juntar ninguém derriba",
Isso é fácil constatar,

Já dizia, João Balula,
E este grande ajudou
A Emilson com ala ursas
E Jardel Cabral montou
Uma associação
Pra dar maior promoção,
E a coisa só andou.

Sucesso no Carnaval
Tradição de João Pessoa,
Até empresa de turismo
Divulgou tudo na boa,
Dau Zapata e tanta gente
Anônima e influente
Põem Ala Ursas na proa.
27

Emilson contribuiu
Para o resgate e respeito
Dos Mestres e de culturas
Que tinham pouco direito,
Pouca oportunidade
De sair da sua cidade
E romper com esse conceito

Que envolve autoestima
E real compreensão
Da importância da sua arte
Para toda a nação.
Zé Preto, lá de Monteiro,
Da mazurca, que é celeiro,
Pode ser a citação

De alguém que entendeu
Seu valor e importância
Depois que Emilson o levou
Para mostrar com constância
Sua arte em João Pessoa,
Não se sentiu mais à toa,
Mas gente de relevância.

E Zé Preto, agradecido,
Diz que após se apresentar
Na capital, recebeu
Convite para cantar
Em Garanhuns, em Pesqueira,
Arcoverde e até na feira
De Caruaru foi lá.
28

Zé da Cruz, o sanfoneiro
Da Torre, foi agradecer
Por, no Bairro das Indústrias,
Uma tocada fazer,
Um sonho de antigamente,
Tocar para muita gente,
Lágrimas se viu descer.

Do Mestre João do Boi,
Emilson tem um relato
Que envolve misticismo,
O agir de um ser pacato,
Que é bem interessante,
É algo assim, chocante,
Deixa a gente estupefato.

João do Boi era brincante
Desde os 5 de idade,
Foi o Cavalo Marinho
Sua primeira atividade,
Mestre Lino Laurentino,
Seu avô deu ao menino
Saber com amorosidade.

João passou a sua vida
Mantendo essa tradição,
Mas com uns 60 anos
Teve uma depressão,
Foi parar no hospital,
E na Igreja Universal
Tentaram curar João.
29

Foi para Centro Espírita,
Terreiro de Candomblé,
Só falava sim ou não
E às vezes certo ou é,
O seu cachimbo fumando,
As baforadas soltando
Ou tomando seu café.

Emilson e os amigos
Unhandeijara Lisboa,
Naldinho, Martinho Campos,
Beto Black, gente boa,
Sugerem levar João
Para uma apresentação
E sua mente repovoa.

Era o Coco de Roda
Da Mestra Dona Lenita,
No Quilombo Gurugi,
E para quem acredita,
O milagre aconteceu,
João do Boi renasceu
Depois daquela visita.

Ele ficou só olhando
De longe o tocador
De zabumba, mas depois
Foi perdendo o temor,
Aproximou-se ligeiro
E tomou do zabumbeiro
As baquetas e o tambor…
30

E começou a tocar
E a dançar intensivamente,
Em torno de uma hora,
Ao parar alegremente
Devolveu a percussão,
Foi embora a depressão,
Era outro, felizmente.

Ele agradeceu ao homem
Pela zabumba usada,
Ao voltar estava feliz
Falando em disparada,
A todos surpreendeu,
Sua depressão venceu,
Era uma alma curada.

Daquele dia em diante
Retomou o seu folguedo,
Fez muita apresentação
Em feira, campo, lajedo,
Em todo o palco ele ia
Ensinar com alegria,
Sem dor, carranca ou medo.

Aos 78 anos
João veio a falecer,
No leito do hospital
Pediu pra Emilson dizer
Pra Tina seguir o caminho,
Olhar o Cavalo Marinho,
Nunca deixá-lo morrer.
31

Mestres Nandinho e Zequinha
Presenciaram a cena,
O recado fora dado
E Tina prossegue plena
Com o Cavalo Marinho,
Ensinando com carinho
Pra gente grande e pequena.

Relacionar Emilson
Aos agentes da cultura
Popular neste cordel,
É dar valor à figura
Que soube dignificar,
Respeitar e se importar
Com os artistas com doçura.

Trouxe aqui alguns exemplos
Da riquíssima relação
De Emilson com os brincantes
De tudo que é tradição,
Mas antes de terminar
Eu quero testemunhar
Como foi a sua ação

Na Direção da Funjope
Em prol de nós, cordelistas,
Que não tínhamos cachês,
Como os capoeiristas,
Quando a gente conversou
Emilson me adiantou,
- Vocês também são artistas
32

E merecem receber
Igualmente a qualquer um
Famoso ou popular,
Esquecido ou incomum,
Depois disso eu levei
Um projeto e lhe mostrei
Sobre o desejo comum

Que a gente apresentara
Na conversa anterior,
Era a Tenda do Cordel
Que eu fora lá propor,
Houve logo a aceitação
Pra começar no São João,
E Emilson mediador

Foi até o Lau Siqueira,
Que aceitou a proposta,
Isso em 2007,
Do público houve resposta
Positiva pelo evento,
E o bom acolhimento
Incentivou a aposta

Para a Festa das Neves,
Que ocorreu em agosto,
Foi boa a repercussão
E assim ficou proposto
Pra Tenda se repetir
E a Funjope investir
No evento com mais gosto.
33

Assim, a Tenda do Cordel
Também aqui aconteceu:
2008, 2009,
Em 13 reacendeu,
Em 14 funcionou,
Mas foi aí que parou,
Foi assim que ocorreu.

E durante as edições
Que Emilson coordenou,
Que ele todas as vezes
Pro evento me convidou,
Ficou tudo registrado
Em vídeo e fotografado,
Esse crédito eu dou.

No site projetocordel,
Nas minhas redes sociais
Existem muitos registros
Que são bonitos demais,
Mostram a nossa ação
Que sempre causa emoção
E boa lembrança traz.

Foram muitas parcerias
Com a Tenda do Cordel,
Do Balaio, Joana Alves,
Do querido Menestrel
Zé Costa Leite que já
Conosco não mais está,
Mas foi grande o seu papel.
34

Varneci veio de São Paulo,
Valentim, de Santa Helena,
Janduhi, veio de Patos,
E as mulheres em cena:
Narli Dias, Nelcimá,
Que lutam pra preservar
O Cordel igual novena.

Vicente Campos, além
Do José Pedro de Lima,
Um amigo, quase irmão,
Que adorava uma rima,
Que chamava de amor
Os filhos e era humor
Toda hora, em qualquer clima.

Armando Fernandes da Costa,
O sábio Héliton Santana,
Luz do Movimento Negro,
Cujo cordel atazana
Explorador e racista,
Mas que é bem otimista
Com a espécie humana.

Alexsandra Riciane,
Jailson Henrique, Bebé
De Natércio
, Leontino
Quirino
, que amigo é,
Medeiros Braga, figura,
Que escreve que a estrutura
Leva o povo em marcha à ré.
35

Vimos Marco di Aurélio,
Poeta Manoel Amaro,
O Manoel Belizário,
E num momento bem raro
O José Alves Sobrinho
Com a camisa de linho,
De valioso preparo.

O Mariano Ferreira
Da Costa
, o poeta Giba,
O Sabiá da Jurema,
Da extrema da Paraíba
Com o Estado do Ceará,
Baixio é o lugar
Do incansável escriba.

De Fortal, Vânia e Pardal,
Daqui veio Luiz Gonzaga,
João Bosco e repentistas
Pra perpetuar a saga
Do poema em essência,
Da força, da resistência
Que falácia alguma estraga.

O ideal do projeto
Que Emilson e eu pensamos
Era trazer o artista
Raiz que acreditamos,
Assim, a Tenda do Cordel
Trouxe música, menestrel
E folguedos que encontramos
36

Ou tivemos sugestão.
Com o Balaio Nordeste
Nós fizemos parceria,
E com a ONG que aqui veste
Tradição e diretriz:
Pro Dia Nascer Feliz,
Um apoio inconteste.

Veio aqui Chico Pedrosa,
O Chico do Canolino,
Que com canos inventou
Um tipo de violino,
Aurinha e Selma do Coco,
Que agradaram não pouco,
Com seu tocar nordestino

No espaço popular,
Que tinha Bacamarteiros,
Até Orquestra Sanfônica,
Xaxados, Mamulengueiros,
Banda de pife, afoxé,
Homem, menino, mulher,
Todos que eram festeiros.

A Caiana dos Crioulos,
Mané Baixinho, cirandeiro,
Vó Mera, Zabé da Loca,
Seu Basto, o sanfoneiro,
Barca, Lapinha, Reisado,
Ventríloquo, cordel encenado
E um monte de forrozeiro.
37

Tocador de realejo,
Cavaquinho, maracá,
Tudo do melhor da gente
Da cultura popular
Emilson prestigiou
E a Funjope contratou
Para aqui se apresentar.

Todo artista popular
Lembra com muito carinho
Seu Emilson na Funjope,
Como era o caminho
Para se apresentar,
Bastava lhe procurar,
Ele era tal padrinho.

E muitas vezes ele ia
O artista visitar
Ou até mesmo conhecê-lo,
Disso eu posso falar,
Com Carneiro isso ocorreu,
Que em casa o acolheu
Para lhe ouvir cantar.

Isso foi em Mamanguape,
Zé Carneiro, o cantador
Repentista que depois
Foi mostrar o seu valor
Duas vezes em João Pessoa,
No Cem Réis e na Lagoa,
E depois veio propor
38

Pra Emilson assistir
Na sua terra u'a cantoria,
O que ele aceitou
E à Mamanguape iria,
Era o aniversário
Do poeta visionário,
Foi momento de alegria.

Eu tive a satisfação
De andar com esse parceiro
Em tudo quanto é lugar
Como um aventureiro
Fazendo divulgação
Do cordel com empolgação
Pra ampliar seu celeiro

Em escola, condomínio,
Em corrida de jumento,
Teatro, praça, nas ruas,
Onde havia o fomento
À cultura popular
Pro povo valorizar
E ter o entendimento

Que nós somos importantes,
Nós, que eu digo, é todo artista
Da cultura popular,
Mas que não temos a vista
Da maior população,
Por isso urge a ação
Em busca de apologista.
39

Emilson é porta-voz
Dessa importante missão,
Ele lembra Dom Quixote
Sonhando com a inclusão
Das pessoas sem espaço
Que precisam de um abraço
E de uma forte mão...

Acolhedora e que aponte
Os caminhos a seguir,
Mas que dê autonomia
Pra saber por onde ir,
O que deseja manter,
O que precisa fazer,
E o que tem que abolir.

Este trabalho em cordel
É a manifestação
De um amigo agradecido
Por ter tido a atenção
De um grande companheiro,
Que é amigo o tempo inteiro
E acho que esse bordão

É dito por todo artista
Que com Emilson Ribeiro
Teve a oportunidade
De lidar e ser parceiro,
Muito obrigado, amigo,
Por você ser o abrigo,
Qual sombra de juazeiro.
40
Fim

*CTP: Centro de Tradições Populares de Bayeux-PB


Projeto Lives Culturais com Emilson Ribeiro


www.projetocordel.com.br

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