www.projetocordel.com.br
O que brilhou no passado - João Santos e José Carneiro


Foto da página no facebook Mamanguape Minha Terra
OBS.: O poeta José Carneiro sentado na porta da sua casa


O que brilhou no passado

Do cd João Santos e José Carneiro, Repentes e Canções.
Clique no player para escutar o poema


Poema sobre lembranças de Mamanguape


Mamanguape, palco lindo
Dos bons historiadores,
Escritores, cantadores
Pouco a pouco surgindo,
O embolador sorrindo
Cantando alegremente,
Na praça o forró quente
Deixava o povo suado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

Como uma planta que nasce,
Cresce, flore e dá frutos,
Poetas fazem-se cultos,
Hoje, o passado renasce,
Mamanguape tem a face,
Vultos que eternamente
Ficou na mente da gente,
Dentro do peito guardado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

O passado foi magia
Dos muitos anos atrás,
Dos bonitos festivais
Que Heleno promovia,
O ritmo da cantoria,
A beleza do repente,
O poeta inteligente,
Contente e bem inspirado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

Restou das festas a essência
Da nossa tranquilidade,
Hoje, a criminalidade
Avança com violência,
Corroendo a paciência,
Destruindo a paz da gente,
Se tem alguém competente
Irá ouvir o meu brado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

O sábado, véspera, de feira,
Muitas barracas armadas,
As pessoas animadas
Passavam a noite inteira,
Água quente na chaleira
Em cima da brasa quente,
Um gole de aguardente,
Um taco de bode assado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

Preço bom sem ultimato,
Carne, galinha e verdura,
Garajal de rapadura,
Frutas silvestres, do mato,
Era tudo tão barato
Que nos deixava contentes,
Hoje, o cachorro da gente
Com linguiça é amarrado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

Toinha onde está
Com a ciranda, hoje em dia,
Quem deu a ela foi Lia
Da Ilha de Itamaracá,
A zabumba, o ganzá,
Na praça, bastante gente
Indo pra trás e pra frente,
Eita tempo animado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

No São João muita magia,
Quadrilha, balão, fogueira,
No símbolo de uma bandeira
Contente São João sorria,
Num arraiá da alegria
Canjica e pamonha quente,
Fogueira e forró pra gente
Passar a noite animado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

Recordando o doutor
Manoel Fernandes de Lima,
Nós lembramos com estima
Seu Né, um grande senhor,
Nosso ex-vereador
Seu Bina, tão sorridente,
Doutor Gustavo pra gente
Foi o melhor do Estado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

Sentes nobre, o poder emana,
Pra nós sobra fantasia,
Pois a paz que existia
A nós o progresso engana,
A cinza negra da cana,
Que queimam constantemente,
Entra na casa da gente,
Deixa tudo derrotado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

A doutora Beatriz,
Professora tão brilhante,
Lembro Altair Cavalcante,
Seu nome merece bis,
Oscar do Doce, feliz,
Amável e competente,
Doutor Valdez, certamente,
Foi um grande advogado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

O progresso e a cultura
Era tudo controlado,
Forçados por todo lado
Trazendo a todos, fartura,
Nossa fonte de água pura,
Que hoje, envergonha a gente,
Bagunça e coisa indecente,
Tudo de sujo é lavado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

Aqui tudo era paz,
Da saudade eu desmaio,
A praça 13 de maio
Pra encontro dos casais,
Do menino ao rapaz
Cada um mais sorridente
E seu Valfredo contente
No seu Cinema Eldorado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

Hoje, ficou a saudade
Do tempo bom, a herança,
Que ficou só na lembrança
Do que foi felicidade,
Como um filme da cidade
Na memória no presente,
Hoje, tudo é diferente,
Vou viver sempre lembrado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

A Bica do Sertãozinho
Em piscina transformada
Deu início a chegada
Dos turistas com carinho,
Porém durou bem pouquinho
Esse lindo ambiente,
Pois passou urgentemente
Para o domínio errado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.

A nossa floresta amada
Traz dor ao meu coração,
A mata vira carvão
A floresta a ser cortada,
Do berço da passarada
A flora perde a semente,
Nasce a flor do meu repente
Em defesa do cerrado,
O que brilhou no passado
Se apagou no presente.


Voltar à página principal de José Carneiro


www.projetocordel.com.br

Cadastre-se e leia os cordéis na íntegra GRATUITAMENTE.   Esqueceu a senha?     Login     Todos os Cordéis     Lançamentos


Início       A Arte de Leontino Quirino      Autores      Banco de Rimas      Bibliografia      Capoeirarte      Cds      Como Escrever um Cordel      Comprar Aqui      Conte sua história em cordel      Cordéis de Francisco Diniz      Cordéis de Valentim Quaresma      Currículo Cultural      Educação Física      Entrevistas      Fotografias      História      Kit de 20 cordéis para escolas      Lançamentos      Literatura de Cordel(Música)      Livro de Visitas      Matérias      Mensagens      Monografias      O patriarca do cordel      O que é cordel?      PHC em Cordel       Player de música       Projetos      Projeto Cordel na Escola      Projeto Pé de Serra      Rima é som      Tenda do Cordel      Textos      Vídeos      Xilogravura

Feito com Mobirise - Sistemas: Francisco Diniz.  Adaptado de Cesar Szpak Celke e de NodeStudio


SiteLock