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MEMORIAL DESCRITIVO DO POETA JOSÉ CARNEIRO

Eu sou José Carneiro da Cunha, nasci em Sapé, Paraíba, no dia 31 de julho de 1944. Filho de Emília Maria da Conceição e Altino Carneiro da Cunha. Neste ano de 2026 farei 82 anos. Resido em Mamanguape desde os meus 12 anos. Com essa idade aprendi a fazer versos rimados e a tocar viola sozinho. Ao conhecer o Poeta Heleno Bertoldo comecei a fazer versos com ele em tom de brincadeira e, pacientemente, ele foi me orientando sobre a estrutura das estrofes e das melodias mais usadas. Em busca de melhores condições de vida fui morar em Abreu e Lima-PE, e lá fiquei de 1971 a 1983. Nesse período atuei como repentista em programas da Rádio Relógio, de Paulista, e na Rádio Tamandaré, de Recife, onde fiz dupla com Sinésio Pereira e também com o renomado poeta Geraldo Amâncio, com quem mantive correspondências durante muito tempo. Em 1983 participei ativamente da campanha política de Dr. Gustavo Fernandes, candidato a prefeito de Mamanguape, juntamente com Heleno Bertoldo e com os irmãos repentistas José, Titico e Raimundo Caetano. Após a vitoriosa campanha eu voltei para Abreu e Lima, mas fui convidado pelo prefeito eleito a vir morar novamente em Mamanguape. Ele me ofereceu um trabalho de segurança e de vez em quando eu fazia cantoria em eventos que ele organizava no município, em cidades da região e até em João Pessoa. Certa vez, eu e os parceiros repentistas aqui citados, fomos cantar na UFPB. Fiz apresentações na capital, pela Funjope, em 2009, 2013 e 2018. Fui contemplado, assim como outros artistas, com o Prêmio Dona Lenita, 2020, como Mestre da Cultura Popular, recebendo, na oportunidade, o valor de R$ 5.000,00. Na minha cidade, em 2026 e em anos anteriores, fui contemplado com projetos culturais da Lei Aldir Blanc. Eu sou um poeta repentista, faço canções e escrevi um cordel chamado Mamanguape e sua História. Esse cordel está disponível em texto e áudio no site: www.projetocordel.com.br/josecarneiro. Gravei 5 cds de cantoria de viola, de forma independente. As minhas produções também estão disponíveis no meu canal do YouTube: www.youtube.com/@josecarneirorepentista. Moro na rua Visconde de Itaboray, nº 28, no Centro de Mamanguape. Eu moro sozinho e, por ser idoso, quando preciso, tenho ajuda de meus sobrinhos e outros parentes, além de muitos amigos. Mesmo com essa idade, sou plenamente ativo, apesar de algumas limitações, e faço minha comida, cuido da casa, relaciono-me com amigos e de vez em quando me apresento numa escola ou num ambiente cultural, levando a minha história e o meu fazer poético. Há vários anos eu promovo um evento de cantoria no SINSERMAM (Sindicato dos Servidores Municipais de Mamanguape) para celebrar o meu aniversário. Publicamente, agradeço ao Professor Tarcísio Teixeira, Presidente do mencionado Sindicato, à Professora, hoje Vereadora, Ana Cristina e ao Professor, atual Secretário da Cultura, Antônio Carlos pelo apoio que tenho recebido nas minhas atividades culturais em Mamanguape. Sou grato também ao Vereador Clebson pela propositura do título que a Câmara Legislativa Municipal me outorgou como cidadão mamanguapense, em dezembro de 2025. Caso eu seja aprovado no edital DE REPENTE NA ESTRADA E DE REPENTE NO ESPAÇO, a minha contribuição para o processo de ensino-aprendizagem durante as exibições desse projeto, caracterizado como aula-espetáculo, será de apresentar ao público a minha história, bem como falar das estrofes mais usadas na cantoria, as toadas e o uso das rimas. Não sou professor, portanto, não tenho argumentos para ensinar às pessoas, a não ser pelo exemplo de vida e pela preocupação de contribuir para que a poesia popular nordestina, especificamente a cantoria de viola, seja preservada, conquiste mais apologistas e novos poetas. Eu tenho pouco estudo, tornei-me filho das veredas de Mamanguape. Sou o último cantador repentista de viola desse lugar, infelizmente. Fazem-me coro na cidade poucos poetas populares, a exemplo de Zezinho Batista, embolador de coco, e Titila, poetisa que faz versos de improviso, mas que não toca viola. Trago na voz a herança dos cantadores nordestinos. Nasci entre o cheiro da terra molhada e o aboio dos vaqueiros, aprendendo cedo a rimar com o vento e com a vida. Minha poesia nasceu nas feiras livres, nos alpendres antigos e nas noites de cantoria à luz da lua e do candeeiro. Faço do repente instrumento de memória, alegria e resistência cultural do povo simples. Ao longo da caminhada, participei de desafios poéticos, encontros culturais e festivais populares em várias cidades do Nordeste. Minha arte valoriza a tradição oral, o improviso e a sabedoria simples do homem do campo. Cada verso que componho carrega a identidade da minha terra e o respeito pelas raízes nordestinas. Em minhas cantorias, abordo temas como amor, fé, justiça social e a beleza da cultura popular. Tenho orgulho de representar Mamanguape por meio da poesia e da cantoria improvisada. Busco manter viva a chama do repente para as novas gerações de artistas e ouvintes. A viola, companheira inseparável, é ponte entre meu coração e o povo que me escuta. Minha trajetória é marcada pela humildade, pelo compromisso cultural e pela paixão pelas palavras rimadas. Entendo a poesia como missão de preservar histórias e fortalecer a identidade do Nordeste brasileiro. Continuo cantando e escrevendo para que a tradição popular nunca se cale diante do tempo. Assim sigo, poeta do povo, levando em cada estrofe a alma viva de Mamanguape, da Paraíba, do Nordeste, desse país tão rico culturalmente.


Um pouco da vida do Poeta Repentista José Carneiro, Mamanguape-PB.


José Carneiro da Cunha,
Um seguidor de Javé,
Sou poeta repentista,
Trabalho com muita fé,
Emília e Altino são
Os meus pais, o meu sopé.

Nascido lá em Sapé,
31, do sétimo mês,
Do ano 44,
Da velhice sou freguês,
Mas não reclamo da vida
Por ser ordeiro e cortês.

Um menino camponês,
Com 12 anos de idade,
Em Mamanguape cheguei,
Essa tão linda cidade,
Aprendi cantar sozinho
Com muita facilidade.

Não achei dificuldade
Em a viola afinar,
E com Heleno Bertoldo
Comecei a versejar,
Assim como brincadeira,
Sem ver o tempo passar.

Tempos depois fui morar
Na cidade Abreu e Lima
No ano 71,
Fui sentir um novo clima,
Buscar a felicidade
Com viola, verso e rima.

Duplei com muita estima
Com Geraldo, isso eu sei (Geraldo Amâncio),
E com Sinésio Pereira
Também, por tempos, cantei,
Tamandaré e Relógio,
As rádios onde andei.

Em 83, voltei,
No tempo da eleição,
Pra morar em Mamanguape,
Pra cumprir uma missão:
Apoiar Dr. Gustavo
A prefeito desse chão.

Era a minha missão
Tocar viola e cantar
Nos comícios, nos encontros
Com o fim de ajudar,
E convencer nosso povo
No candidato votar.

Após Gustavo ganhar,
Ele me ofereceu
Trabalho na prefeitura,
Ser um segurança seu,
Depois fui efetivado,
Não voltei mais pra Abreu.

Foi grande o prazer meu
Viver como eu vivi,
Ser um guarda e repentista,
Nessa terra eu aprendi
Humildade e respeito,
Isso eu ganhei aqui.

Lá, acolá e ali
Eu levo o meu repente
Nas entranhas do Nordeste
Enfrentando sol ardente,
Feliz e realizado
Por atender nossa gente.


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